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sexta-feira, 9 de julho de 2010

Arte Brasileira – Cândido Portinari

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Filho de imigrantes italianos, nasceu em 30 de dezembro de 1903, numa fazenda de café nas proximidades de Brodósqui, em São Paulo. Com a vocação artística florescendo logo na infância, Portinari teve uma educação deficiente, não completando sequer o ensino primário. Aos 14 anos de idade, uma turma de pintores e escultores italianos que atuava na restauração de igrejas passa pela região de Brodósqui e recruta Portinari como ajudante. Seria o primeiro grande indício do talento do pintor brasileiro.

Aos 15 anos, já decidido a aprimorar seus dons, Portinari deixa São Paulo e parte para o Rio de Janeiro para estudar na Escola Nacional de Belas Artes. Durante seus estudos na ENBA, Portinari começa a se destacar. Aos 20 anos participa de diversas exposições, ganhando elogios em artigos de vários jornais. Começa a despertar no artista o interesse por um movimento artístico até então considerado marginal: o modernismo.

Um dos principais prêmios almejados por Portinari era a medalha de ouro do Salão da ENBA. Nos anos de 1926 e 1927, o pintor conseguiu destaque, mas não venceu. Anos depois, Portinari chegou a afirmar que suas telas com elementos modernistas escandalizaram os juízes do concurso. Em 1928 Portinari deliberadamente prepara uma tela com elementos acadêmicos tradicionais e finalmente ganha a medalha de ouro e uma viagem para a Europa.

Dois anos passou em Paris e foram decisivos no estilo que consagraria Portinari. Teve contato com outros artistas como Van Dongen e Othon Friesz, além de conhecer Maria Martinelli, uma uruguaia de 19 anos com quem o artista passaria o resto de sua vida.

Em 1931 Portinari volta ao Brasil renovado. Muda completamente a estética de sua obra, valorizando mais cores e a idéia das pinturas. Ele quebra o compromisso volumétrico e abandona a tridimensionalidade de suas obras. Deixa de lado as telas pintadas a óleo e começa a se dedicar a murais e afrescos. Portinari expõe três telas no Pavilhão Brasil da Feira Mundial em Nova York de 1939. Os quadros chamam a atenção de Alfred Barr, diretor geral do Museu de Arte Moderna de NY (MoMA).

A década de quarenta começa muito bem para Portinari. Alfred Barr compra a tela "Morro do Rio" e imediatamente a expõe no MoMA, ao lado de artistas consagrados mundialmente. O interesse geral pelo trabalho do artista brasileiro faz Barr preparar uma exposição individual para Portinari em plena Nova York. Nessa época Portinari faz dois murais para a Biblioteca do Congresso em Washington. Ao visitar o MoMA, Portinari se impressiona com uma obra que mudaria seu estilo novamente: "Guernica" de Pablo Picasso.

No final da década de 40 Portinari se filia ao Partido Comunista Brasileiro (PCB) e concorre ao Senado em 1947, mas perde por uma pequena margem de votos. Desiludido com a derrota e também fugindo da caça aos comunistas que começava a crescer no Brasil, Portinari se muda com a família para o Uruguai. Mesmo longe de seu país, o artista continua com grande preocupação social em suas obras.

Em 1951 uma anistia geral faz com que Portinari volte ao Brasil. No mesmo ano, a I Bienal de São Paulo expõe obras de Portinari com destaque em uma sala particular. Mas a década de 50 seria marcada por diversos problemas de saúde. Em 1954 Portinari apresentou uma grave intoxicação pelo chumbo presente nas tintas que usava. Desobedecendo a ordens médicas, Portinari continua pintando e viajando com freqüência para exposições nos EUA, Europa e Israel.

No começo de 1962 a prefeitura de Milão convida Portinari para uma grande exposição com 200 telas. Trabalhando freneticamente, o envenenamento de Portinari começa a tomar proporções fatais. No dia 6 de fevereiro de 1962, Cândido Portinari morre envenenado pelas tintas que o consagraram.


– Relação das principais obras de Portinari:
  1. Meio ambiente
  2. Colhedores de café
  3. Mestiço
  4. Favelas
  5. O Lavrador de Café
  6. O sapateiro de Brodósqui
  7. Meninos e piões
  8. Lavadeiras
  9. Grupos de meninas brincando
  10. Menino com carneiro
  11. Cena rural
  12. A primeira missa no Brasil
  13. São Francisco de Assis
  14. Os Retirantes





sábado, 27 de fevereiro de 2010

Arte Brasileira – Alfredo Volpi

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Alfredo Volpi (Lucca, 14 de abril de 1896 — São Paulo, 28 de maio de 1988) foi um pintor ítalo-brasileiro considerado pela crítica como um dos artistas mais importantes da segunda geração do modernismo. Uma das características de suas obras são as bandeirinhas e os casarios.


Autodidata, começou a pintar em 1911, executando murais decorativos. Em seguida, trabalhou com óleo sobre madeira, consagrando-se como mestre utilizador de têmpera sobre tela.


Grande colorista, explorou através das formas, composições magníficas, de grande impacto visual. Em conjunto com Arcangelo Ianelli e Aldir Mendes de Souza formou uma tríade de exímios coloristas.Trabalhou também como pintor-decorador em residências da sociedade paulista da época, executando trabalho de decoração artística em paredes e murais. Realizou a primeira exposição individual aos 48 anos de idade.





Na década de 1950 evoluiu para o abstracionismo geométrico, de que é exemplo a série de bandeiras e mastros de festas juninas. Recebeu o prêmio de melhor pintor nacional na segunda Bienal de São Paulo, em 1953. Participou da primeira Exposição de Arte Concreta, em 1956.


Pertenceu ao Grupo Santa Helena, assim chamado porque todos os participantes desse grupo tinham seu local de trabalho no palacete do mesmo nome, situado na Praça da Sé, em São Paulo. Faziam parte do Grupo Santa Helena os seguintes pintores: Aldo Bonadei, Mário Zanini, Clóvis Graciano, Fúlvio Penacchi, Raphael Galvez e outros.


Fonte: Wikipédia

sábado, 12 de dezembro de 2009

Arte Brasileira – Antonio Henrique Amaral

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Ao longo de 3 décadas, Antonio Henrique criou aproximadamente meia centena de símbolos e signos. Em permanente rotação, esses símbolos e signos ganham novos significados em função do encandeamento de fases e épocas de sua pintura e do relacionamento de sua obra com a realidade do país, do continente e do mundo.

Melância

Um dos grandes pintores vivos da América Latina, transita com absoluta naturalidade e competência na atmosfera cultural. Ele absorve em sua pintura várias das características da melhor arte continental, mas sem perder sua individualidade, que é forte e original. Artista resistente, não se submeteu nunca aos modismos internacionais ou aos modelos e pautas euro-norte-americanos, mesmo quando residiu fora do Brasil. Do hiper-realismo, por exemplo, aproveitou apenas a metodologia de trabalho, tendo a fotografia como base, mas manteve o tom colérico, ainda que numa linguagem cool. Criou uma iconografia própria, inconfundível, crítica e resistente, através da qual expressa uma realidade brasileira e latino-americana. Tem abordado questões regionais, mas de impacto internacional e validade universal, como o assassinato político, o desmatamento da Amazônia, a poluição industrial.
E ao mergulhar nas contradições de nossa realidade, traz à tona o que há nela de ambíguo, de insólito e de fantástico, essa mescla excitante de barroquismos e sensualidades, de loucura e criatividade, de tropicalidades e delicadezas.


cordas e bananas


Ao captar e expressar essa "morfologias explosivas flutuanttes", esse mundo embrionário, enfim, esse espaço modificante e instável, ele está criando, juntamente com outros grandes pintores da região, uma metáfora da própria realidade do continente. É o que afirmo em meu livro Artes Plásticas na América Latina: do transe ao transitório (1979), ao localizar na pintura de Xul Solar, Matta, Wilfredo Lam, Tarsila, Tamayo e Amaral, entre outros, um espaço que se modifica a cada instante, um espaço caracterizado por indefinições, que explode silenciosamente no interior da tela, os estilhaços flutuando, indecisos entre permanecer levitando ou romper os limites virtuais do quadro. Um espaço no qual não sabemos se devemos mergulhar ou alçar vôo, um espaço, enfim, que tem muito a ver com a própria realidade mental e cultural da América Latina, incapaz de vôos mais altos ( sair do subdesenvolvimento) e fincar os pés na terra (pois, carece de planos, projetos e teorias). «Frederico Morais»
















































Fonte: do livro 'BRASILIANart Book'

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Guernica

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Uma das obras mais conhecidas de Picasso é o mural Guernica, em exposição no Museu Nacional Centro de Arte Rainha Sofia, em Madrid. Retrata da maneira mais peculiar do artista, a cidade basca de Guernica, após bombardeio pelos aviões da Luftwaffe de Adolf Hitler. Pintado em 1937 por ocasião da Exposição Internacional de Paris. Foi exposto no pavilhão da República Espanhola. Esta grande tela encorpora para muitos a desumanidade, brutalidade e desesperança da guerra.

Durante a Segunda Guerra Mundial, Picasso continuou vivendo em Paris durante a ocupação alemã. Tendo fama de simpatizante comunista, era alvo de controles freqüentes pelos alemães. Durante uma revista do seu apartamento parisiense, um oficial nazista observou uma fotografia do mural Guernica na parede e, apontando para a imagem, perguntou:
– Foi você quem fez isso? E Picasso respondeu, após um segundo de reflexão:
– Não, vocês o fizeram.

Medindo 350 por 782 cm, esta tela pintada a óleo é normalmente tratada como representativa do bombardeio sofrido pela cidade espanhola de Guernica em 26 de abril de 1937 por aviões alemães, apoiando o ditador Francisco Franco.


Composição
A pintura foi feita com uso de cores, em preto e branco - algo que demonstrava o sentimento de repúdio do artista ao bombardeio da cidadezinha espanhola. Claramente em estilo cubista, Picasso retrata pessoas, animais e edifícios nascidos pelo intenso bombardeio da força aérea alemã (Luftwaffe), já sob o controle de Hitler, aliado de Francisco Franco da Silva.

Morando em Paris, o artista soube dos fatos desumanos e brutais através de jornais - e daí supõe-se tenha saído a inspiração para a retratação monocromática do fato. Sua composição retrata as figuras ao estilo dos frisos dos templos gregos, através de um enquadramento triangular das mesmas. O posicionamento diagonal da cabeça feminina, olhando para a esquerda, remete o observador a dirigir também seu olhar da direita para a esquerda, até o lampião trazido ainda aceso sobre um braço decepado e, finalmente, à representação de uma bomba explodindo.




Curiosidades e folclore

  • Na parte central (inferior direito) do quadro, a pelagem do cavalo mutilado é retratada com pequenos traços verticais. Picasso teria começado a fazê-las, mas quem as terminou teria sido sua esposa, pois o artista teria dito que davam muito trabalho.

  • Esteve exposto no Casón del Buen Retiro antes de ir para o Museu Reina Sofia em 1992.

  • O quadro, transferido para Nova Iorque durante a Segunda Guerra Mundial, recebeu do pintor a ordem de que apenas quando a Espanha natal fosse um país democrático poderia para lá ser transladada. Ficou sob a guarda do Museu de Arte Moderna de Nova York (MOMA). Isso ocorreu apenas a 9 de Setembro de 1981, sendo Guernica retirada do MOMA rumo a Madrid. Tinha chegado ao final a peregrinação da obra a que chamavam os espanhóis de "el último exiliado".

  • Em janeiro de 1973, e com o título "The Great Guernica Fraud", o professor Jeffrey Hart do Dartmouth College, publicou no National Review um estudo onde sustenta a tese de que bombardeio de Guernica não ocorreu. O artigo foi reimpresso nos jornais "Die Welt" e "Il Tempo". No último teve o título: "Revelações sensacionais destroem um Mito"
Origem: Wikipédia

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Romeu e Julieta de Shakespeare

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Romeu e Julieta é uma tragédia escrita nos primórdios da carreira literária de William Shakespeare (entre 1591 e 1595) sobre dois adolescentes cuja morte acaba unindo suas famílias, antes em guerra. A peça ficou entre as mais populares na época de Shakespeare e, ao lado de Hamlet, é uma das suas obras mais levadas aos palcos do mundo inteiro. Hoje, o relacionamento dos dois jovens é considerado como o arquétipo do amor juvenil.

Romeu e Julieta pertence a uma tradição de romances trágicos que remonta à antiguidade. Seu enredo é baseado em um conto da Itália, traduzido em versos como 'A Trágica História de Romeu e Julieta' por Arthur Brooke em 1562, e retomado em prosa como 'Palácio do Prazer' por William Painter em 1582. Shakespeare baseou-se em ambos, mas reforçou a ação de personagens secundários, especialmente Mercúcio e Páris, a fim de expandir o enredo. O texto foi publicado pela primeira vez em 1597 mas essa versão foi considerada como de péssima qualidade, o que estimulou muitas outras edições posteriores que trouxeram consonância com o texto original de Shakespeare.

A estrutura dramática usada por Shakespeare — especialmente os efeitos de gêneros como a comutação entre comédia e tragédia para aumentar a tensão; sua atitude de expandir os personagens mais secundários e a utilização de sub-enredos para embelezar a história — tem sido elogiada como um sinal precoce de sua habilidade dramática e maturidade artística. A peça atribui distintas formas poéticas a diferentes personagens para apresentar sua personalidade mais evoluída: Romeu, por exemplo, cresce mais versado nos sonetos ao longo da trama.

Em mais de cinco séculos de realização, Romeu e Julieta tem sido adaptada nos infinitos campos e áreas do teatro, cinema, música e literatura.

Os estudiosos não sabem exatamente quando Shakespeare escreveu Romeu e Julieta. No entanto, podemos adquirir determinadas pistas:
  • a Ama de Julieta refere-se a um terremoto que tinha ocorrido 11 anos antes. Considerando que surgiu um terremoto na Inglaterra em 1580, é possível determinar que a peça se passa em 1591 ou que esse é o ano em que Shakespeare escreveu a obra, embora muitos outros terremotos, tanto na Inglaterra quanto em Verona tenham ocorrido antes ou depois, fazendo com que diferentes datas sejam propostas.
Considerando também que os estudiosos apontam semelhanças do estilo artístico usado em Romeu e Julieta a 'Sonhos de Uma Noite de Verão' e outras peças convencionalmente datadas em 1594-95, a tradição diz que Romeu e Julieta foi composta entre 1591 e 1595. Existe a hipótese de que a peça era ainda um projeto recentemente iniciado no ano de 1591, concluído por Shakespeare em 1595.



Indícios históricos
"Vê, descuidoso, na aflição tamanha,
Capelletti e Montecchi entristecidos.
Monaldi e Filippeschi, alvo de sanha."

(Dante, A Divina Comédia — Purgatório, Canto VI, Linha 106)


Verona — cidade que Shakespeare escolheu para sua peça — trata-se das mais prósperas do norte da Itália. A cidade atrai cada vez mais jovens, casais, e namorados, por ter ganho a fama de "cidade de Romeu e Julieta". Possuindo um patrimônio arquitetônico e histórico muito preservado, Verona carrega em seu território um anfiteatro romano, um castelo da Idade Média, palácios e igrejas medievais. Além dessas atrações, e de outras, como o Castelvecchio, Verona possui a "Casa de Julieta" que, embora não carregue nenhuma prova de que os Montecchios e os Capuletos realmente tenham morado por ali, atrai muitos visitantes. A construção da casa se iniciou no século XVIII, e talvez tenha sido de propriedade dos Cappellos. No interior da construção existe uma estátua de bronze de Julieta, afrescos da peça, e um balcão com um pouco da biografia de Shakespeare. Criou-se a lenda de que dá sorte no amor tocar o seio esquerdo da estátua de Julieta.

Na verdade, a questão sobre se Romeu e Julieta, e, consecutivamente, os Montecchios e os Capuletos, existiram, é antiga. Talvez um dos motivos da grande dúvida sobre a veracidade histórica da peça é o fato de que o enredo passeou pelos séculos até ser melhor aproveitado por Shakespeare. Há registros de que Giralomo della Corte, um italiano que viveu na mesma época de Shakespeare, afirmava que o relacionamento dos jovens amantes havia ocorrido em 1303, embora não se tenha certeza sobre isso. O único elemento comprovado é que as famílias Montecchi e Capelletti realmente existiram, embora não se saiba se moravam na Península Itálica, ou se eram rivais.

Outras fontes literárias que fazem alusões às duas famílias é 'A Divina Comédia', do italiano Dante Alighieri. Nesse poema, Dante cita os Montecchi e Capelletti como participantes de uma disputa comercial e política que se deram na Itália. Em Dante, ambas as famílias estão no Purgatório, tristes, e desoladas. Muitos estudiosos discordam que essas famílias tenham existido, mas o historiador Olin Moore acredita que seria um desígnio para dois importantes partidos políticos que eram rivais em território italiano: os Gibelinos e os Guelfos. Outra fonte literária se encontra em Luigi da Porto, que também citava as famílias como rivais, e Lope de Vega, como também Matteo Bandello, que enriqueceu a fábula e o enredo.

Não há nenhuma evidência quanto todas essas suspeitas, guardadas na literatura italiana e em Shakespeare. Mas as várias citações às duas famílias tem excitado o público e a crítica para investigarem sobre a questão. Para o histórico Rainer Sousa, "o amor trágico e desmedido de Romeu e Julieta parece instaurar um arquétipo de um amor ideal, muitas vezes, distante das experiências afetivas cotidianamente experimentadas." Rainer ainda afirma que "talvez por isso, tantos acreditam (ou pelo menos torcem) para que um amor sem medidas como do casal shakespeariano tivesse acontecido."

A data da primeira encenação da peça é desconhecida. O Primeiro Quarto (Q1), impresso em 1597, diz que "ela tem sido muitas vezes encenada e adquirido um grande público", o que nos dá a pista de que se realizaram encenações antes dessa data. O Lord Chamberlain's Men foi certamente o primeiro grupo a encená-la. Além de sua forte ligação com Shakespeare, William Kempe é nomeado no Segundo Quarto (Q2) como Pedro numa linha do Ato V. Richard Burbage foi provavelmente o primeiro ator a fazer Romeu, já que ele era o líder da companhia e desempenhava os papéis dos protagonistas, e Master Robert Goffe (um homem) foi provavelmente a primeira Julieta, uma vez que na época as mulheres eram proibidas de desempenharem qualquer tipo de papel. Através dessa formação, acredita-se que a primeira estréia da peça aconteceu no "The Theatre", com outras produções realizadas posteriormente no "The Curtain". Além disso, Romeu e Julieta trata-se de uma das primeiras peças shakesperianas a serem encenadas fora da Inglaterra: uma breve versão da obra foi produzida em Nördlingen no ano de 1604.


Personagens
– Casa dos Capuletos
  • Capuleto é o patriarca da casa dos Capuletos.
  • Senhora Capuleto é a matriarca da casa dos Capuletos.
  • Julieta é a filha única dos Capuletos, e a protagonista feminina da peça.
  • Tebaldo é primo de Julieta, e sobrinho da senhora Capuleto.
  • A Ama é a confidente e ama de Julieta.
  • Pedro, Sansão e Gregório são os criados dos Capuletos.

– Governo
  • Príncipe Escalo é o Príncipe de Verona
  • Páris é um jovem nobre, parente do príncipe, e pretendente de Julieta.
  • Mercúcio é parente do príncipe e amigo de Romeu.

– Casa dos Montecchios
  • Montecchio é o patriarca da casa dos Montecchios.
  • Senhora Montecchio é a matriarca da casa dos Montecchios.
  • Romeu é o filho único dos Montecchios, e o protagonista masculino da peça.
  • Benvólio é sobrinho de Montecchio e amigo de Romeu.
  • Abraão e Baltasar são os criados dos Montecchios.

– Outros
  • O Coro, que lê o prólogo.
  • Frei Lourenço é confidente de Romeu e franciscano.
  • Frei João é quem iria entregar a carta de Frei Lourenço para Romeu.
  • Um Boticário, que vende a poção fatal para Romeu.
  • Rosalina é uma personagem invisível, pretendente de Romeu antes dele conhecer Julieta.


Nota: versoões impressas referidas como Q1 (1597), Q2 (1599), Q3 (1609), Q4 (1622) e Q5 (1637).



Origem: Wikipédia

sábado, 5 de setembro de 2009

Arte Brasileira – Tarsila do Amaral

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Tarsila do Amaral nasceu em 1º de setembro de 1886 na Fazenda São Bernardo, município de Capivari, interior do Estado de São Paulo. Filha de José Estanislau do Amaral e Lydia Dias de Aguiar do Amaral. Era neta de José Estanislau do Amaral, cognominado “o milionário” em razão da imensa fortuna que acumulou abrindo fazendas no interior de São Paulo. Seu pai herdou apreciável fortuna e diversas fazendas nas quais Tarsila passou a infância e adolescência.







Estuda em São Paulo no Colégio Sion e completa seus estudos em Barcelona, na Espanha, onde pinta seu primeiro quadro, “Sagrado Coração de Jesus”, aos 16 anos. Casa-se em 1906 com André Teixeira Pinto com quem teve sua única filha, Dulce. Separa-se dele e começa a estudar escultura em 1916 com Zadig e Mantovani em São Paulo. Posteriormente estuda desenho e pintura com Pedro Alexandrino. Em 1920 embarca para a Europa objetivando ingressar na Académie Julian em Paris. Frequenta também o ateliê de Émile Renard. Em 1922 tem uma tela sua admitida no Salão Oficial dos Artistas Franceses. Nesse mesmo ano regressa ao Brasil e se integra com os intelectuais do grupo modernista. Faz parte do “grupo dos cinco” juntamente com Anita Malfatti, Oswald de Andrade, Mário de Andrade e Menotti del Picchia. Nessa época começa seu namoro com o escritor Oswald de Andrade. Embora não tenha sido participante da “Semana de 22” integra-se ao Modernismo que surgia no Brasil, visto que na Europa estava fazendo estudos acadêmicos.

auto retrato


Volta à Europa em 1923 e tem contato com os modernistas que lá se encontravam: intelectuais, pintores, músicos e poetas. Estuda com Albert Gleizes e Fernand Léger, grandes mestres cubistas. Mantém estreita amizade com Blaise Cendrars, poeta franco-suiço que visita o Brasil em 1924. Inicia sua pintura “pau-brasil” dotada de cores e temas acentuadamente brasileiros.
Em 1926 expõe em Paris, obtendo grande sucesso. Casa-se no mesmo ano com Oswald de Andrade. Em 1928 pinta o “Abaporu” para dar de presente de aniversário a Oswald que se empolga com a tela e cria o Movimento Antropofágico. É deste período a fase antropofágica da sua pintura. Em 1929 expõe individualmente pela primeira vez no Brasil. Separa-se de Oswald em 1930.

Abaporu

Em 1933 pinta o quadro “Operários” e dá início à pintura social no Brasil. No ano seguinte participa do I Salão Paulista de Belas Artes. Passa a viver com o escritor Luís Martins por quase vinte anos, de meados dos anos 30 a meados dos anos 50. De 1936 à 1952, trabalha como colunista nos Diários Associados.

Operários

Nos anos 50 volta ao tema “pau brasil”. Participa em 1951 da I Bienal de São Paulo. Em 1963 tem sala especial na VII Bienal de São Paulo e no ano seguinte participação especial na XXXII Bienal de Veneza. Faleceu em São Paulo no dia 17 de janeiro de 1973.




















































Origem: Site oficial de Tarsila do Amaral

sábado, 8 de agosto de 2009

Dante Alighieri

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Dante Alighieri (Florença, 29 maio 1265 — Ravena, 13 ou 14 setembro 1321) foi um escritor, poeta e político italiano. É considerado o primeiro e maior poeta da língua italiana, definido como il sommo poeta ("o sumo poeta").

Seu nome, segundo o testemunho do filho Jacopo Alighieri, era uma abreviação de "Durante". Nos documentos, era seguido do patronímico "Alagherii" ou do gentílico "de Alagheriis", enquanto a variante "Alighieri" afirmou-se com o advento de Boccaccio.

Foi muito mais do que apenas um literato: numa época onde apenas os escritos em latim eram valorizados, redigiu um poema, de viés épico e teológico, La Divina Commedia (A Divina Comédia), que se tornou a base da língua italiana moderna e culmina a afirmação do modo medieval de entender o mundo. Nasceu em Florença, onde viveu a primeira parte da sua vida até ser injustamente exilado. O exílio foi ainda maior do que uma simples separação física de sua terra natal: foi abandonado por seus parentes. Apesar dessa condição, seu amor incondicional e capacidade visionária o transformaram no mais importante pensador de sua época.


Família
Não há registro oficial da data de nascimento de Dante. Ele informa ter nascido sob o signo de Gêmeos, entre fim de maio e meados de junho. A referência mais confiável é a data de 29 de maio de 1265. Dante, na verdade, é uma abreviação de seu real nome, Durante. Nasceu numa importante família florentina (cujo apelido era, na realidade, Alaghieri) comprometida politicamente com o partido dos Guelfos, uma aliança política envolvida em lutas com outra facção de florentinos: os Gibelinos. Os Guelfos estavam ainda divididos em "Guelfos Brancos" e "Guelfos Negros". Dante, no Inferno (XV, 76), pretende dizer que a sua família tem raízes na Roma Antiga, ainda que o familiar mais antigo que se lhe conhece (citado pelo próprio Dante, no livro Paraíso, (XV, 135), seja Cacciaguida do Eliseu, que terá vivido, quando muito, à volta do ano 1100 (o que, relativamente ao próprio Dante, não é muito antigo).

O seu pai, Alighiero di Bellincione, foi um "Guelfo Branco'. A mãe chamava-se Dona Bella degli Abati, "a bela dos abades", ainda que Bella seja um diminutivo de Gabriella, morre quando Dante conta apenas com 5 ou 6 anos de idade. Seu pai rapidamente se casa com Lapa di Chiarissimo Cialuffi, dela nasceram o irmão de Dante, Francesco, e Tana (Gaetana), sua irmã.
Com a idade de 12 anos, em 1277, sua família impôs o casamento com Gemma, filha de Messe Manetto Donati. Dante teve vários filhos de Gemma. Como acontece, geralmente, com pessoas famosas, apareceram muitos supostos filhos do poeta. É provável, no entanto, que Jacopo, Pietro e Antonia fossem, realmente, seus filhos. Antonia tomou o hábito de freira, com o nome de Irmã Beatriz. Um outro homem, chamado Giovanni, reclamou também a filiação mas, apesar de ter estado com Dante no exílio, restam algumas dúvidas quanto à pretensão.


Poesia
A Península Itálica era politicamente dividida em um complexo mosaico de pequenos estados. As regiões do que hoje é a Itália ainda não compartilhavam a mesma língua nem a mesma cultura, também em virtude das vias de comunicação deficitárias. Não obstante, é notório o espírito curioso de Dante que, sem dúvida, pretendia estar a par das novidades culturais a um nível internacional.

Aos dezoito anos, com Guido Cavalcanti, Lapo Gianni, Cino da Pistoia e, pouco depois, Brunetto Latini, Dante lança o Dolce Stil Nuovo. Na Divina Comédia (Inferno, XV, 82), faz-se uma referência especial a Brunetto Latini, onde se diz que terá instruído Dante. Tanto na Divina Comédia como na Vita Nuova depreende-se que Dante se terá interessado por outros meios de expressão como a pintura e a música.

Ainda jovem (18 anos), conheceu Beatrice Portinari, a filha de Folco dei Portinari, ainda que, crendo no próprio Dante, a tenha fixado na memória quando a viu pela primeira vez, com nove anos (teria Beatriz, nessa altura, 8 anos). Há quem diga, no entanto, que Dante a viu uma única vez, nunca tendo falado com ela. Não há elementos biográficos que comprovem o que é que seja. É difícil interpretar no que consistiu essa paixão, mas, é certo, foi de importância marcante para a cultura italiana. É sob o signo desse amor que Dante deixa a sua marca profunda no Dolce Stil Nuovo e em toda a poesia lírica italiana, abrindo caminho aos poetas e escritores que se lhe seguiram para desenvolverem o tema do Amor (Amore) que, até então, não tinha sido tão enfatizado. O amor por Beatriz, aparece como a justificativa da poesia e da própria vida, quase se confundindo com as paixões políticas, igualmente importantes para Dante. Quando Beatriz morre, em 1290, Dante procura refúgio espiritual na filosofia da Literatura latina. Dedicou-se ao estudo da filosofia em escolas religiosas, como a Dominicana de Santa Maria Novella, tanto mais que ele próprio era membro da Ordem Terceira de São Domingos. Participou nas disputas entre místicos e dialéticos, que se travavam, então, em Florença nos meios acadêmicos, e que se centravam em torno das duas ordens religiosas mais relevantes. Por um lado, os Franciscanos, que defendiam a doutrina dos místicos (São Boaventura), e por outro, os Dominicanos, que se socorriam das teorias de São Tomás de Aquino. A sua paixão "excessiva" pela filosofia é criticada por Beatriz (representando a Teologia), no Purgatório.


Carreira política em Florença
Dante participou, também, na vida militar da época. Em 1289 combateu ao lado dos cavaleiros florentinos, contra os de Arezzo, na batalha de Campaldino, em 11 de junho. Em 1294, estava com os soldados que escoltavam Carlos Martel (filho de Carlos de Anjou e herói de Poitiers) quando este estava em Florença.

Foi, também, médico e farmacêutico; não pretendia exercer essas profissões mas, segundo uma lei de 1295, todo nobre que pretendesse tomar um cargo público devia pertencer a uma das Guildas (Corporazioni di Arti e Mestieri - ou seja, "Corporação de Artes e Ofícios"). Ao entrar na guilda dos boticários, Dante podia, pretender a vida política. Esta profissão não era, de todo, inadequada para Dante, já que, na época, os livros eram vendidos nos boticários. De 1295 a 1300, fez parte do "Conselho dos Cem" (o Conselho da Comuna de Florença), onde fez parte dos seis priores que governavam a cidade.

O envolvimento político de Dante acarretou-lhe vários problemas. O Papa Bonifácio VIII tinha a intenção de ocupar militarmente Florença. Em 1300, Dante estava em San Gimignano, onde preparava a resistência dos guelfos toscanos contra as intrigas papais. Em 1301, o papa enviou Carlos de Valois, (irmão de Felipe o Belo, rei de França), como pacificador da Toscânia. O governo de Florença, no entanto, já recebera mal os embaixadores papais, semanas antes, de forma a repelir qualquer influência da Santa Sé. O Conselho da cidade enviou, então, uma delegação a Roma, com o fim de indagar ao certo as intenções do Sumo Pontífice. Dante chefiava essa delegação.


Exílio e morte
Bonifácio rapidamente enviou os outros representantes de Florença de volta, retendo apenas Dante em Roma. Entretanto, a 1 de novembro de 1301, Carlos de Valois entrava em Florença com os Guelfos Negros que, por seis dias, devastaram a cidade e massacraram grande número de partidários da facção branca. Dante foi condenado, em Florença, ao exílio por dois anos, além de ser condenado a pagar uma elevada multa em dinheiro. Estando ainda em Roma, o papa "sugeriu-lhe" que aí se mantivesse, sendo considerado, a partir de então, um proscrito. Não tendo pago a multa, foi por consequência, condenado ao exílio perpétuo. Se fosse, entretanto, capturado por soldados de Florença, seria sumariamente executado, queimado vivo. Declarou solenemente, na altura, que pertencia a um partido com um único membro. Foi nesta altura que começou a fazer o esboço do que viria a ser a "Divina Comédia", poema constituído:
  • por 100 cantos,
  • divididos em 3 livros ("Inferno", "Purgatório" e "Paraíso")
  • com 33 cantos cada (exceto o primeiro livro que, dos seus 34 cantos, o primeiro é considerado apenas como Canto introdutório).
Foi para Verona, onde foi hóspede de Bartolomeo Della Scala; mudou-se para Sarzana (Ligúria), depois, supõe-se que terá vivido algum tempo em Lucca com Madame Gentucca, que o acolheu de forma calorosa (será referido de forma agradecida no Purgatório XXIV,37). Algumas fontes chegam a comentar que terá estado em Paris, entre 1308 e 1310. Outras fontes, menos credíveis, porém, dizem que terá ido até Oxford.

Em 1310, Arrigo VII do Luxemburgo invadia Itália. Dante viu nele a hipótese de se vingar. Escreveu-lhe, bem como a vários príncipes italianos, cartas abertas onde incitava violentamente à destruição do poderio dos Guelfos Negros. Misturando religião e assuntos privados, invocou a ira divina sobre a sua cidade, sugerindo como alvo principal do desagrado de Deus os seus mais tenazes inimigos pessoais. Em Florença, Baldo d'Aguglione perdoou a maior parte dos Guelfos Brancos que estavam no exílio, permitindo-lhes o seu regresso. Dante, no entanto, tinha ultrapassado largamente os limites toleráveis para o partido negro nas suas cartas a Arrigo VII, pelo que o seu regresso não foi permitido. Em 1313, com a morte de Arrigo, morre também a esperança de Dante de rever a sua cidade. Volta para Verona onde Cangrande Della Scala lhe permite viver seguro, confortável e, presume-se, com alguma prosperidade. Cangrande é uma das personagens admitidas por Dante no seu Paraíso (XVII, 76). Em 1315, Florença foi obrigada, por Uguccione della Faggiuola (oficial militar que controlava a cidade) a outorgar anistia a todos os exilados. Dante constava na lista daqueles que deveriam receber o perdão. No entanto, era exigido que estes pagassem uma determinada multa e, que aceitassem participar numa cerimônia de caráter religioso onde se retratariam como ofensores da ordem pública. Dante recusou-se a semelhante humilhação, preferindo o exílio. Quando Uguccione derrota, finalmente, Florença, a sentença de morte que recaía sobre Dante foi comutada numa pena de prisão, sob a única condição de que teria de ir a Florença jurar solenemente que jamais entraria na cidade. Dante não foi. Como resultado, a pena de morte estendeu-se aos seus filhos.

Dante ainda esperou, mais tarde que fosse possível ser convidado por Florença a um regresso honrado. O exílio era como que uma segunda morte, privando-o de muito do que formava a sua identidade. No Canto XVII do Paraíso, Dante refere o quanto era dolorosa para si a vida de exilado.

Guido Novello da Polenta, príncipe de Ravena, convidou-o para aí morar, em 1318. Dante aceitou a oferta. Foi em Ravena que terminou o "Paraíso" e, pouco depois, falecia, talvez de malária, em 1321, com 56 anos, sendo sepultado na Igreja de San Pier Maggiore (mais tarde chamada Igreja de San Francesco). Bernardo Bembo, pretor de Veneza, decidiu honrar os restos mortais do Poeta, erigindo-lhe um monumento funerário de acordo com a dignidade de Dante Alighieri. Na sepultura, constam alguns versos de Bernardo Canaccio, amigo de Dante, onde se refere a Florença com os seguintes termos:
parvi Florentia mater amoris "Florença, mãe de pequeno amor"


Obras
«A Divina Comédia» descreve uma viagem de Dante através do Inferno, Purgatório, e Paraíso, primeiramente guiado pelo poeta romano Virgílio, autor do poema épico Eneida, através do Inferno e do Purgatório e, depois, no Paraíso, pela mão da sua amada Beatriz (com quem, presumem muitos autores, nunca tenha falado e, apenas visto, talvez, de uma a três vezes).
  1. Inferno – em termos gerais, os leitores modernos preferem a descrição vívida e psicologicamente interessante para a sensibilidade contemporânea, onde as paixões se agitam de forma angustiada num ambiente quase cinematográfico.
  2. Purgatório – é considerado, dos três livros, o mais lírico e humano. É interessante verificar que é, também, aquele onde aparecem mais poetas.
  3. Paraíso – o mais pesadamente teológico de todos, está repleto de visões místicas, raiando o êxtase, onde Dante tenta descrever aquilo que, confessa, é incapaz de exprimir (como acontece, aliás, com muitos textos místicos que fazem a história da literatura religiosa).
O Purgatório e o Paraíso, exigem outra abordagem por parte do leitor: contêm sutilezas ao nível filosófico e teológico, metáforas dificilmente compreensíveis para a nossa época, requerendo alguma pesquisa e paciência.

O Poema chama-se Comédia não por ser engraçado mas porque termina bem (no Paraíso). Era esse o sentido original da palavra comédia, em contraste com a tragédia, que terminava, em princípio, mal para os personagens. Dante escreveu a "Comédia" no seu dialeto local. Ao criar um poema de estrutura épica e com propósitos filosóficos, Dante demonstrava que a língua toscana (muito aproximada do que hoje é conhecido como língua italiana, ou língua vulgar, em oposição ao latim, que se considerava como a língua apropriada para discursos mais sérios) era adequada para o mais elevado tipo de expressão, ao mesmo tempo que estabelecia o Toscano como dialeto padrão para o italiano.

– Outras obras importantes do autor são:
  • De Vulgari Eloquentia (Sobre a Língua vulgar), escrita, curiosamente, em latim;
  • Vita Nova "Vida Nova", onde insere sonetos, comentados, onde narra a história do seu amor por Beatriz. A língua utilizada é a toscana, tanto para os poemas (o que não é grande novidade, já que muitas obras líricas tinham sido escritas em língua vulgar) como para os comentários que, pelo seu caráter mais teórico, já inovam ao prescindir do latim;
  • Le Rime "As rimas", também chamadas de "Canzoniere", onde aparecem vários textos de caráter lírico (sonetos, canções, baladas, sextinas...), onde novamente, canta o amor idealizado (amor platônico), Beatriz, bem como a Ciência, a Filosofia, a Moral (num sentido alargado do termo);
  • Il Convivio "O Convívio", de caráter filosófico, é apresentado pelo poeta como um banquete com 14 pratos (simbolizando as canções), acompanhados do pão (os comentários). Faz parte das obras que pretendem dignificar a língua vulgar, tanto mais que Dante chega aqui a citar autores tão importantes como Aristóteles ou São Tomás de Aquino;
  • Monarchia "Monarquia", onde expõe as suas idéias políticas;
  • Outras obras, consideradas menores, como "As Epístolas", "Éclogas" e "Quaestio de aqua et terra".
Nota: Quando nos referimos a Divina Comédia, indicamos primeiro o livro (por exemplo, "Inferno"), depois o Canto, em numeração romana; e, finalmente, em numeração árabe, os versos (que aparecem numerados na maior parte das edições da obra).


Curiosidades


Em 2007, cientistas italianos da Universidade de Bologna recriaram a face de Dante. Crê-se que o modelo seja o mais próximo possível de sua verdadeira aparência. Seu retrato, feito por Botticelli, foi usado como base junto ao crânio.




Reabilitação

Em julho de 2008 o Comitê Cultural de Florença revogou o exílio e concedeu a seus herdeiros, como forma de compensação a mais alta honraria da cidade, Il Fiorino D'Oro. A proposta, aprovada na Câmara de Vereadores da cidade, tendo sido aprovada por apenas um voto acima do quórum mínimo, uma vez que recebeu oposição de muitos vereadores da esquerda, que a consideraram apenas uma forma de beneficiar o único herdeiro vivo de Dante, Peralvise Serego Alighieri, um produtor de vinho da região de Valpolicella.

Fonte: Wikipédia

domingo, 26 de julho de 2009

Arte Brasileira – Elena Nikítina

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Os temas de seus quadros se enclausuram em figuras antigas e na representação dos objetos de seu próprio ateliê.
Origem: BRASILIANart book

Natureza Silenciosa


Para uma artesã como Elena Nikítina, o universo da pintura não tem mistérios; ela possui total domínio da técnica. Além do mais, ela não é uma pintora ansiosa que se força a pintar um quadro por dia, sem cerimônia. Os quadros de Elena levam tempo, seu trabalho é paciente, moroso, meticuloso, detalhista, perfeccionista, porque seu centro de interesse pictórico reside na representação real da figura. As guaches que faz, de tamanho pequeno, custam-lhe um tempo menor; já os óleos, ela os faz, em média, cerca de nove por ano.


Ocaso


Há em sua obra uma forte influência das pinturas germânica e flamenga dos séculos XVI e XVII. As cenas de pintura dos interiores (de seu próprio ateliê), agrupam objetos não com a intenção de criar o clima específico de uma natureza morta. Basta que o visitante os analise com atenção para verificar que as formas dos objetos e as cores usadas pela artista têm, acima de tudo, a função de construção do espaço pictórico. O desenho e a cor de uma fruta entram na tela para cumprir papéis formais e pictóricos de composição.

Avançando um pouco mais nessa linha de reflexão, não será difícil perceber que os gostos de Elena, suas lembranças e suas paixões são flagradas em suas telas com a maior facilidade. A escrita musical, as personagens antigas, os objetos de estimação e aqueles que compõem sua vida compõem um discurso plástico que revela seu universo afetivo.


No silêncio do verão


Intrigam também seus retratos anônimos. Eles não têm tempo. São feitos hoje, mas poderiam ter sido criados também há um século. Há um gosto neoclássico na execução dos cabelos e dos paramentos das indumentárias das mulheres, posando altivas para a posteridade. O curioso é que nesses retratos há um pouco dos muitos rostos que passaram pela vida de Elena Nikítina. Ela os faz antigos porque gosta de fazê-los assim. Claro que ela navega contra a corrente da multidão do neo-alguma coisa e dos novismos estéticos: ela, porém, está aceitando, um desafio, está atendendo a um desejo de ser artista como quer sê-lo, explicando-o alegremente em sua obra. (Radha Abramo)

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Arte Brasileira – Raquel Taraborelli

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Um vaso de papoulas no jardim


Jardim florido com banco azul

Três cadeiras coloridas no jardim

Campos floridos, jardins, roseiras, margaridas, gerânios, papoulas, giestas; flores e mais flores. São os temas eletivos da sensível obra de Raquel, desde que ela trocou a prancheta de engenheira pelo cavalete de pintora. Suas configurações caprichosas e suas cores ora delicadas, ora vivíssimas, conferem-lhe posição de destaque na hierarquia estética da natureza. Por isso, as flores não se esgotam numa descrição botânica, científica. A melhor definição de rosa, paradigma das flores, foi dada por Gertrude Stein: "Uma rosa é uma rosa é uma rosa". O compositor popular Cartola, por seu turno, referindo-se à amada, afirmou que "as rosas não falam" mas que elas "exalam o perfume que roubam de ti".

Tendo profundas afinidades com o impressionismo e, particularmente, com a obra de sua figura principal, Claude Monet, Raquel chegou a deslocar-se várias vezes para a França para pintar nos mesmos locais onde Monet criou algumas de suas obras primas. Como os impressionistas, ela valoriza a pintura en plein air, entendendo que as cores são mutáveis, que as tonalidades estão sempre cambiando de acordo com a incidência dos raios luminosos, e que o preto não existe na natureza. Dá atenção especial às áreas de sombra, sempre coloridas, e tira partido da vibração das cores complementares justapostas. Sua matéria pictórica é enriquecida por sucessivas camadas de tinta e por uma textura especial, às vezes granular. As flores de Raquel têm o perfume e o frescor da natureza, contrariando respeitosamente Cartola, quando todos os dias ela toca o pincel na tela para dar origem a uma flor, é como se ela dissesse: "Parla".
Enock Sacramento - SP - 2004



BRAZILIANart V – livro de Arte Brasileira

sábado, 13 de junho de 2009

Arte brasileira – Aldemir Martins

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Texto de Carlos Von Schmidt, curador e crítico de arte

O número de pintores brasileiros que não pintam o Brasil é incalculável. Não tem tamanho. Aldemir não. Aldemir pinta o Brasil. Aldemir não tem vergonha do verde e amarelo da bandeira nacional. A arte contemporânea do Brasil está cheia de pintores que falam muito sobre a luz, sobre a cor local, mas pintam como se estivessem em Londres, Paris e Tóquio.

Nos anos 40, Aldemir não tinha despertado para a luz, para a cor local. Sua pinturas Curral Vazio, de 45, e Tocadores de Ganzá, de 47, deixam isso bem claro. O tema era nosso, mas a pintura tinha raízes nas pinturas dos expressionistas franceses e alemães.

Foi através das cores e dos desenhos, das gravuras, que a cor de Aldemir passou a ser a sua marca registrada e explodiu na tela. Com força, vigor. Senhora absoluta.

Precisar com exatidão quando isso aconteceu é difícil. Esse processo não tem dia nem hora marcada. Vai acontecendo... Quando percebe, já aconteceu.

Não hesitaria em dizer que a cor nos fins dos anos 60 passou a ser o principal componente na obra de Aldemir. E continua até hoje.

Isso também aconteceu com Matisse e Kandinsky, na França e com Franz Marc, na Alemanha. A partir de um determinado momento, as pinturas de Matisse, Kandinsky e Marc passaram a ser cor. Simplesmente cor. Suas fabulações, suas composições são inconcebíveis sem ela. O mesmo aconteceu com Aldemir.

Aldemir Martins – um pintor do Brasil mostra a pintura de um artista brasileiro que pensa, fala, expressa e pinta o micro e o macro universo do Brasil.

Visceralmente ligado ao Brasil, Aldemir trouxe para o mundo da arte moderna brasileira dos anos 50, cangaceiros, frutas, flores, pássaros, peixes e paisagens do nordeste e desse Brasil afora, até então só encontrados em cadernos e livros dos artistas viajantes que por aqui passaram há séculos.





(do livro 'BRAZILIANart V - livro de arte brasileira')


Vaso com flores


Paisagem


Modelo


Marinha


Cangaceiro

sábado, 21 de junho de 2008

artista

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Salvador Dalí
o mestre da arte surrealista


Salvador Domingo Felipe Jacinto Dalí i Domènech nasceu em 11 de maio de 1904, na cidade espanhola de Figueres (Catalunha). Foi um dos mais importantes artistas plásticos (pintor e escultor) surrealistas da Espanha.

Desde a infância, Dalí demonstrou interesse pelas artes plásticas. No ano de 1921, entrou para a Escola de Belas Artes de São Fernando, localizada na cidade de Madri. Porém, em 1926, foi expulso desta instituição, pois afirmava que ninguém era suficientemente competente para o avaliar.

Nesta fase da vida, conviveu com vários cineastas, artistas e escritores famosos, tais como: Luis Bruñel, Rafael Alberti e Frederico Garcia Lorca.

Em 1929, viajou para Paris e conheceu Pablo Picasso, artista que muito influenciou a produção artística de Dalí. No ano seguinte, começou a fazer parte do movimento artístico conhecido como surrealismo.A década de 1930 foi um período de grande produção artística de Dali. Nesta fase, o artista representava imagens do cotidiano de uma forma inesperada e surpreendente. As cores vivas, a luminosidade e o brilho também marcaram o estilo artístico de Dali. Os trabalhos psicológicos de Freud influenciaram muito o artista neste período É desta fase uma de suas obras mais conhecidas “A persistência da Memória”, que mostra um relógio derretendo.

Em 1934, Dali casou-se com uma imigrante russa chamada Elena Ivanovna Diakonova, conhecida como Gala.

Em 1939, foi expulso do movimento surrealista por motivos políticos. Grande parte dos artistas surrealistas eram marxistas e justificaram a expulsão de Dalí, alegando que o artista era muito comercial.

Em 1942, Dali e sua esposa foram morar nos Estados Unidos, país em que permaneceu até 1948. Voltou para a Catalunha em 1949, onde viveu até o final de sua vida.

Em 1960, Dali colocou em prática um grande projeto: o Teatro-Museo Gala Salvador Dali, em sua terra natal, que reuniu grande parte de suas obras.

Em 1982, com a morte de sua esposa Gala, Dali entrou numa fase de grande tristeza e depressão. Parou de produzir e se recusava a fazer as refeições diárias. Ficou desidratado e teve que ser alimentado por sonda. Em 1984, tentou o suicídio ao colocar fogo em seu quarto. Passou a receber o cuidado e atenção de seus amigos.

Dali morreu na cidade de Figueres, em 23 de janeiro de 1989, de pneumonia e parada cardíaca.


Principais obras de Salvador Dalí:
1922 - Cabaret Scene e Night Walking Dreams
1925 - Large Harlequin and Small Bottle of Rum
1926 - Basket of Bread e Girl from Figueres
1927 - Composition With Three Figures e Than Blood
1929 - O Grande Masturbador
1929 - Os Primeiros Dias da Primavera
1931 - A Persistência da Memória
1931 - A Velhice de Guilherme Tell
1932 - O Espectro do Sex Appeal,
1932 - O Nascimento dos Desejos Líquidos
1932 - Pão-antropomorfo catalão
1933 - Gala Com Duas Costeletas de Carneiro em Equilíbrio Sobre
o Seu Ombro
1936 - Canibalismo de Outono
1936 - Construção Mole com Feijões Cozidos
1938 - España 1938
1937 - Metamorfose de Narciso
1937 - Girafa em Chamas
1940 - A Face da Guerra
1943 - Poesia das Américas
1944 - Galarina e Sonho Causado Pelo Voo de uma Abelha
ao Redor de Uma Romã um Segundo Antes de Acordar
1945 - A Cesta do Pão
1946 - A Tentação de Santo Antônio
1949 - Leda Atômica
1949 - Madona de Portlligat.
1951 - Cristo de São João da Cruz
1954 - Crucificação ("Corpus Hypercubus")
1956 - Natureza-Morta Viva
1958 - Rosa Meditativa
1959 - A Descoberta da América por Cristóvão Colombo
1970 - Toureiro Alucinógeno
1972 - La Toile Daligram
1976 - Gala Contemplando o Mar
1983 - The Swallow's Tail.

Fonte: Sua Pesquisa.com



sábado, 7 de junho de 2008

Macbeth

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Escrita num prodígio de economia, uma das peças mais curtas de Shakespeare, apoiado em relatos de guerras entre linhagens nobres da Inglaterra, Escócia e Irlanda, Macbeth é uma das tragédias mais sangrentas do autor, dos protagonistas só dois sobrevivem, é a tragédia por excelência da ambição humana. Acontece na Escócia, a historia de Macbeth, um dos generais do rei Duncan, bem sucedido em sua luta com os rebeldes, recebe a visita de três bruxas, que predizem seu destino como futuro senhor de terras e rei da Inglaterra. Lady Macbeth, esposa do general, trama para a morte do rei para colocar seu esposo no lugar, Receoso, Macbeth hesita em tomar parte do plano de sua esposa, mas mata o rei com uma punhalada, durante o sono, com as mãos sujas de sangue, Macbeth reflete se fez certo ao tomar essa atitude.Após o assassinato do rei, Macbeth é coroado e vive momentos de gloria, porem, Macbeth teme Banquo, o outro general, que o rivaliza em astúcia e inteligência e para quem as bruxas predisseram que ele seria o futuro rei com sua linhagem, enquanto Macbeth não teria herdeiros reinando, para tanto, Macbeth então contrata dois assassinos para mata-lo, porem, o filho de Banquo, Fleance, escapa da morte. Macbeth começa a ser assombrado então pelo fantasma de Banquo, que o leva a ter acessos de loucura, começam então, por parte dos nobres, as intrigas para depor Macbeth.Em visita as bruxas, Macbeth recebe conselhos de aparições que prenunciam a intenção de Macduff tomar o trono e também a linhagem de Banquo.Malcolm, filho do antigo rei e Macduff, se encontram então na Inglaterra e pedem ajuda ao rei para depor Macbeth, para isso contam com Siward e mais dez mil homens, emprestados pelo rei da Inglaterra.Na Escócia, Lady Macbeth enlouquece e começa a limpar as mãos sem parar, para se livrar do sangue que a atormenta e começa dizer palavras desconexas.Aproxima-se a batalha e Macbeth, enlouquecido, procura dar sentido as palavras ditas pelas bruxas, Lady Macbeth morre em seu quarto, e o exercito inglês se aproxima com ramos de arvores na mão, confirmando a profecia que um dia o bosque viria ao castelo, findo o combate, Macbeth é morto e restam somente Malcolm, Ross, Macduff e outros soldados, coroando-se então Malcolm como novo rei.
 
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