quarta-feira, 15 de outubro de 2008

de quem é a culpa?

0 comentários
Hoje arrumando alguns livros em casa, encontrei um comentário em um deles, que escrevi em maio de 2004 quando terminei de ler o livro 'Para entender Hitler" de Ron Rosenbaum, se especula todas as maneiras para explicar e buscar a origem do mal, mas ninguém nunca se acusa que também teve participação, a culpa é sempre do outro.....

"Sua alta avaliação se tornando cada vez mais poderosa com força de pessoas sem bons ideais, o levaram a crer que podia demais. Concessões e mais concessões, a falta de visão de um povo por um futuro melhor, dava cada vez mais abertura e poder a lunáticos carismáticos proféticos, na Alemanha da década de 30. E assim o grande se tornou maior, e o maior superou o insuperável e agora querem explicações para tantos males.
A culpa não é de um ou do outro, não há culpados separados, o ser humano foi culpado. A culpa é de toda raça humana que deixou isso acontecer.
A culpa é de quem fez, de quem ajudou, de quem deixou que fizessem, dos que fecharam os olhos, dos que abriram mas nada fizeram e dos que demoraram para fazer, enfim de todos que deixaram aquela situação acontecer.
Tem culpa também hoje os que querem propagar a culpa dos outros, não deixando o ódio acabar, e nem ver que no fundo todos somos culpados."

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

poema da grande alegria

0 comentários

Olhavas-me tanto
E estavas tão perto de mim
Que, no meu êxtase,
Nem sabia qual fosse
Cada um de nós...
Era num lugar tão longe
Que nem parecia neste mundo...
Num lugar sem horizontes,
Onde, sobre águas imóveis,
Havia lótus encantados...
Vinham de mais longe...
De ainda mais longe,
Músicas sereníssimas,
Imateriais como silêncios...
Músicas para se ouvirem com a alma, apenas...
E tudo, em torno,
Eram purificações...
Não sei para onde me levavas:
Mas aqueles caminhos pareciam
Os caminhos eternos
Que vão até o último sol...
E eu me sentia tão leve
Como o pensamento de quem dorme...
Eu me sentia com aquela outra Vida
Que vem depois da vida...
Eleito, ó Eleito,
Eu queria ficar sonhando
Para sempre,
Tão perto de Ti
Que, no meu êxtase,
Nem se pudesse saber
Qual fosse cada um de nós...
(Cecília Meireles)

domingo, 12 de outubro de 2008

São Paulo, outubro de 1717

0 comentários
Santuário de Nossa Senhora Aparecida
Localizado em Aparecida (SP), arquidiocese do mesmo nome e um dos maiores centros de peregrinação do mundo. Ali, em outubro de 1717, três pescadores encontraram, no rio Paraíba do Sul (porto de Itaguaçu), vale do Paraíba, a imagem partida de Nossa Senhora da Imaculada Conceição, que logo começou a ser venerada como milagrosa.
Invocada pelos devotos como “Aparecida”, a imagem peregrinou 15 anos pelas casas de pescadores antes de ter seu primeiro oratório, em 1732.
A primeira capela oficial, erguida no local denominado Morro dos Coqueiros, foi inaugurada em 1745. A devoção se espalhou com as constantes romarias, e a capela, várias vezes reformada e aumentada, foi substituída por outra, de grande valor arquitetônico por ser representante da transição do Barroco para o Neoclássico, em 1888. Pouco tempo depois (1894) chegaram os missionários bávaros da Congregação do Santíssimo Redentor – os padres redentoristas -, chamados para exercer a direção e assistência espiritual do santuário episcopal. Elevada a basílica menor pelo Papa Pio X (1903-1914), a capela, hoje conhecida como Basílica Velha, foi tombada pelo Patrimônio Histórico em 1982.
Em decorrência do movimento crescente das romarias, em 1955 começou a ser construído, num vasto terreno ao lado do Morro dos Coqueiros, um outro templo, conhecido como Basílica Nova, transformado em catedral e sagrado pelo papa João Paulo II em 1980, em sua visita a Aparecida.
O complexo arquitetônico é um dos maiores existentes, com infra-estrutura completa para sediar os grandes acontecimentos da Igreja Católica do Brasil: tem 23 mil metros quadrados de área construída e recebe aproximadamente 6 milhões de visitantes por ano, uma média de 100 mil por semana (1990).
A imagem, trasladada para o novo santuário em 1982, é moldada em barro paulista cozido, mede apenas 36cm de altura e pesa 2,550kg. Pertence à imaginária seiscentista e foi esculpida por frei Agostinho da Jesus, discípulo de frei Agostinho da Piedade. Encontrada despida de suas cores originais (vermelho e azul), adquiriu a cor escura (castanho-brilhante) que hoje conserva, por ter ficado muitos anos submersa no lodo das águas e exposta à fumaça dos candeeiros e velas. Esta cor tornou-se símbolo de libertação dos escravos, humildes e injustiçados.
Coroada oficialmente em 8 de setembro de 1904 e solenemente proclamada rainha e padroeira do Brasil em 31 de maio de 1931, Nossa Senhora Aparecida é comemorada em várias festas no decorrer do ano, mas sua data oficial, fixada em 1954, é 12 de outubro.


• A História da descoberta da imagem de Nossa Senhora Aparecida

Como de costume, os pescadores: João Alves, Domingos Martins Garcia e Felipe Pedroso acordaram de madrugada e rumaram ao trabalho, no Rio Paraíba do Sul, na região de Guaratinguetá, Estado de São Paulo.
Os três amigos estavam desanimados porque há muito tempo não conseguiam uma pesca satisfatória e preocupados com a intimação da Câmara local, que exigia que os pescadores fornecessem uma boa quantidade de peixes para a realização de um banquete ao Conde de Assumar, governador da Capitania de São Paulo, que estaria de visita em Guaratinguetá nos próximos dias.










Naquela manhã, João em mais uma tentativa, lançou sua rede nas águas do Rio Paraíba e nada. Decepcionado, joga-a novamente e traz o corpo de uma imagem totalmente enlameada. Olha para seus companheiros e em um gesto enigmático arremessa a rede em direção ao rio. Dessa vez, trouxe a cabeça da imagem da virgem, enegrecida pelas águas do rio. Com cuidado, colocou as duas partes em um lugar seguro do barco e voltou a arremessar a rede. Ao puxá-la teve que chamar seus amigos para que o ajudassem, porque o peso havia triplicado. Surpreendidos, pousaram dentro do barco, dezenas de peixes. Entreolharam-se embevecidos de emoção. Mudos, estenderam a rede no rio, duas, três, não se sabe exatamente a quantidade de vezes, mas em nenhuma delas se desiludiram, porque os peixes tornaram-se abundantes. Tanto que retornaram com o barco ao ancoradouro com receio de virarem devido à quantidade de peixes obtido naquela abençoada pescaria.
Para os três, mais precioso do que a fartura de peixes, fora a imagem encontrada, que por um milagre, transformou suas vidas. Dali por diante, nascera a devoção a Virgem, a Aparecida das águas. Durante 15 anos, a imagem da Virgem ficou na casa do pescador Felipe. Lá se reuniam os devotos para rezar e pedir graças e proteção.

fonte: www.terrabrasileira.net

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

A ponte mais alta do mundo

0 comentários

A ponte pesa 400.000 toneladas, resiste a ventos de 210 quilometros por hora, custou 300 milhões de euros. Localizada a sudoeste da França, supera em altura a célebre Torre Eiffel. Desafiando as leis da física, ultrapassando a dificuldade ortográfica do vale do rio Tarn, a ponte tem 2.460 metros de autopista (A-75) para descongestionar o tráfego e diminuir em mais de 100 quilometros a rota que conecta Paris com o Mediterrâneo. Sete países europeus, entre eles a Espanha, participaram de sua construção. O desenho da obra é do arquiteto britânico Sir Norman Foster.






terça-feira, 7 de outubro de 2008

É primavera!!

0 comentários
A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la. A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega.
Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes, — e arautos sutis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores.
Há bosques de rododendros que eram verdes e já estão todos cor-de-rosa, como os palácios de Jeipur. Vozes novas de passarinhos começam a ensaiar as árias tradicionais de sua nação. Pequenas borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares, — e certamente conversam: mas tão baixinho que não se entende.
Oh! Primaveras distantes, depois do branco e deserto inverno, quando as amendoeiras inauguram suas flores, alegremente, e todos os olhos procuram pelo céu o primeiro raio de sol.
Esta é uma primavera diferente, com as matas intactas, as árvores cobertas de folhas, — e só os poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz.
Mas é certo que a primavera chega. É certo que a vida não se esquece, e a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuação.
Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim. Algum dia, talvez, os homens terão a primavera que desejarem, no momento que quiserem, independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do céu. E os pássaros serão outros, com outros cantos e outros hábitos, — e os ouvidos que por acaso os ouvirem não terão nada mais com tudo aquilo que, outrora se entendeu e amou.
Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul. Escutemos estas vozes que andam nas árvores, caminhemos por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos; e a eufórbia se vai tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que desdobra. Os casulos brancos das gardênias ainda estão sendo enrolados em redor do perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor.
Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, — por fidelidade à obscura semente, ao que vem, na rotação da eternidade. Saudemos a primavera, dona da vida — e efêmera.

Texto extraído do livro "Cecília Meireles - Obra em Prosa - Volume 1", Editora Nova Fronteira - Rio de Janeiro, 1998, pág. 366.
 
© 2008 Espaço dos anjos  |  Templates e Acessórios por Elke di Barros