Mostrando postagens com marcador mulheres. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador mulheres. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Maria Madalena

0 comentários
– a que muito amou –

Junto ao lago Tiberíades, pequena multidão reunia-se às suas margens. Figura alta e nobre é a única que fala. Da janela do palácio que se ergue próximo às margens, a jovem de Betânia, vila na encosta do monte da Oliveiras, contempla a silhueta recortada contra o céu sereno, observa seus gestos como de quem abençoa. Sacode a farta cabeleira, que lhe tomba ondulante pelos ombros, realçando seu talhe delicado e esguio. Das palmeiras tem o verde nos olhos rasgados, flexível e altaneiro, o porte. Ela já ouvira rumores sobre o Nazareno. O que pregava o amor e o reino do céu.

Amor... para ele vivia. Mais um pregador. Veio-lhe à mente o outro, o João, preso na fortaleza de Maquerunte, nos arredores do palácio de Herodes. Deste temia o brado selvagem, as vituperações, a aspereza, a rusticidade de filho do deserto.

– Além de mim, só Salomé poderia conquistar essa fera, vestida de couro.

Admira-se frente aos espelhos. Adorna-se com joias, quer deslumbrar no banquete de aniversário de Herodes, que se realizaria mais à noite.

A mansidão das águas espelhadas do lago de Tiberíades desaparece de seus olhos de tigresa. Ressurgem nela os atributos da cortesã sedutora. O brilho do olhar é ardente. Em movimentos coleantes, realçados pelas pregas da túnica grega, faz sua entrada magistral no palácio do soberbo tetrarca da Galiléia.

Não era uma qualquer. Sua família era das nobres da Saducéia, com imensas casas às margens do lago Tiberíades, junto ao palácio do rei Herodes e outra mansão à entrada de Jerusalém. Pertence às gentes de estirpe superior, frequenta os grandes de seu tempo. Está na plenitude de seus vinte e cinco anos, vivendo faustosamente, desfrutando o amor livre, recebendo a corte de inúmeros cortejadores. Soberba, sensual, dominadora, arrogante.

Precoce, senhora de si mesma, vivera entre os cultores do conhecimento de seu tempo, sábios, poetas, escritores. Diziam-na possuída por demônios. Ela preferia a vida palpitante, o doce e embriagador vinho dos amores ilícitos. Foi uma noite memorável. Salomé dançou como jamais o fizera. Insinuante, tentadora, arrebatou a vontade de Herodes, que ordenou-lhe pedisse qualquer coisa e ele a atenderia. Pediu a cabeça de João Batista, que lhe foi trazida gotejando sangue em bandeja de prata. Afirmam os escribas ter sido este pedido insuflado por Herodiades, a adúltera, constantemente apontada pelo pregador. A linda cortesã ficou estarrecida: desde esse momento, é perseguida por angústia crescente, terrível e abandona para sempre a corte do tetrarca.

Perseguem-na as palavras e a figura de João Batista: "O machado já está na raiz, toda a árvore que não der bom fruto será cortada e atirada ao fogo". Medita sobre a vida, sobre a sua fugacidade. Tudo passa, prazeres, mocidade, beleza.

O sereno galileu continuava sua pregações, percorrendo a Galiléia e a Judéia. Esta era-lhe hostil: suas depressões junto ao mar Morto, o solo desértico, areia e pedras produziam almas duras. Jesus devia sentir-se confortado com as suaves encostas revestidas de árvores frutíferas, limoeiros, tamareiras, além da serenidade do lago.

Prega aos desvalidos, aos fracos, aos pecadores, aos pobres. Elegeu os pescadores simples, Simão, de Cefas, a quem impôs o nome de Pedro; Tiago, filho de Zebedeu e, João, seu irmão, e lhes deu o nome de Boanerges, que quer dizer "filhos do trovão"; e a André, Felipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu, Tadeu, Simão Cananeu e Judas Iscariotes, que foi quem o entregou. Eram esses os seus escolhidos. A estes dissera:

"Vinde após mim que Eu vos farei pescadores de homens." (Mateus: 4,19)

Entretanto ela se inquieta. "Que mal me aflige?" se pergunta. Parece sempre atenta à silhueta do galileu. Estremece ao pensar nele, invadida por estranha doçura. Sente-se serenar. É interrompida em seus devaneios, por Joana, também da corte de Herodes, mulher de Kouza, o impaciente. Ela falou-lhe de Jesus. Como socorria e curava os enfermos, pregava o amor, a mansidão, expulsava os demônios. Parece que Joana falou da amiga ao Messias, Ele a curou à distância. Os demônios deixaram a bela sedutora. Luxúria, orgulho, ódio, gula, preguiça, mentira, tristeza desapareceram de repente. Ela renunciou ao luxo vestiu-se como as mulheres do povo, um manto ocultava a espessa cabeleira, e sempre que podia ia ouvi-lo, à beira do lago, sequiosa de seu perdão, buscando a esperança.

Então reconheceu-se faltosa, com um passado de pecado. Seu coração encheu-se de arrependimento e chorou pelas ofensas cometidas. Certo dia, do alto do monte, ouviu-o pregar.

Terminando de pregar às margens do lago, Jesus entrou na casa de um certo Simão, o fariseu. Estando ele cercado por muitos que desejavam ouvi-lo, surge na porta a conhecida cortesã. Como estava formosa! Os ondulados cabelos pelas costas, no rosto, expressão de esperança. Parou, atemorizada, diante de tantos desconhecidos, muitos deles, pobres de feições duras. Refez-se, seguiu até o Mestre, atirou-se-lhe aos pés suplicando por perdão. Não se atreveu a erguer a cabeça. Os homens, conhecedores de sua vida pregressa de escândalos e que se julgam superiores, por seus costumes puros, entreolharam-se estupefatos:

– Como se deixa o Mestre tocar por essa mulher?

Conheciam eles, apenas, a observância ou não das regras. A dúvida invade esses corações endurecidos: "Se ele fosse realmente o profeta, saberia que é uma pecadora a que o toca". A jovem, comovida, só sabe reconhecer o imenso amor que brotava no seu coração por Ele. Reconhecia que o adorava, mas não como uma mulher ama um homem. Ela pressentia o mistério que o cercava, percebia o medo se apoderando dos corações. Pressentiam, eles, que algo muito grande estava prestes a acontecer.

A história consagrou o seu amor por Jesus como um amor sublime e sublimado. Quando no calvário, ajoelhada ao pé da cruz, Ele chamou-a por seu nome, ela respondeu: Raboni! (Mestre!)
Estava ela ali aos pés dele. Jesus olhava para ela. Contava a parábola do credor que tinha dois devedores... O Mestre silencia.

"Vês está mulher? Entrei na tua casa e não me deste água para lavar os pés; ela, porém, lavou-mos com suas lágrimas, enxugou-os com seus cabelos. Não me deste um beijo, e ela, desde que entrou, não cessou de me beijar os pés. Não me ungiste a cabeça com bálsamo, ela ainda me ungiu os pés. Digo-te, pois, que muitos pecados lhe são perdoados, porque muito amou." Voltando-se para ela:

"Perdoados estão os teus pecados."

O assombro tomou conta de todos. Quem seria este que perdoa os pecados? murmuravam. Ao que o Mestre acrescentou:

"Tua fé te salvou; vai em paz." (Lucas: 7, 43-50)

Ela, desde então, abandonou seu palácio e adotou costumes severos. Os pontífices e fariseus, preocupados com os prodígios que Jesus fazia, decretaram sua morte e o procuravam para o prender. Dois dias antes da Páscoa, estando Ele em Betânia, ofereceram-lhe uma ceia, na qual servia Marta, estando, também Lázaro, presente. Surge, então, à porta, a arrependida com uma ânfora de perfume nas mãos. Derramou-o sobre sua cabeça, depois nos pés. Ajoelhou-se e ainda uma vez, enxugou com os cabelos os pés do mestre. Depois quebrou a ânfora preciosa. Toda a casa encheu-se com a fragrância do bálsamo.

Precipitaram-se os fatos, acontece a Paixão. A perdoada será encontrada, outra vez, aos pés de Jesus, no alto do Calvário. Na sexta-feira deu-se o sepultamento no Horto. No primeiro dia da semana, sendo ainda escuro, ela foi ao sepulcro e viu a tampa que tinha sido retirada. Correu avisar Simão e outro discípulo. Vendo-o vazio, voltaram para suas casas. Ela conservou-se em pé, da parte de fora chorando.

Jesus, então, pronuncia o seu nome. Ela, voltando-se, exclama:

– Raboni

E Jesus acrescentou:

– "Não Me toques porque ainda não subi a meu Pai; mas vai a meus irmãos e dize-lhes que vou para meu Pai e vosso Pai, para meu Deus e vosso Deus."

Para que o Mestre dissesse – Não me toques! – Ela deve ter-se atirado para Ele ...

Até aqui estão registrados seus passos nos Evangelhos. Conta a tradição que os Judeus prenderam toda a família e os soltaram em barco sem velas nem leme, para que o eceano os tragasse. Deus teria guiado o barco para as costas da Provença, no sul da França. Ela preferiu a solidão do alto de uma montanha. Lá viveu cercada de anjos e em oração. A gruta recebeu o nome de Santo Bálsamo.

Fonte: do livro 'Elas, mulheres que marcaram a humanidade' de Lúcia Pimentel Góes

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Coco Chanel

0 comentários


Gabrielle Bonheur Chanel, (Saumur, 19 de agosto de 1883 - Paris, 10 de janeiro de 1971), mais conhecida como Coco Chanel, foi uma importante estilista francesa e uma mulher à frente do seu tempo. As suas criações até hoje ditam e influenciam a moda mundial. É a fundadora da empresa de vestuário Chanel S.A.






História
A família de Gabrielle era muito numerosa:
  • 4 irmãos, 2 meninos e 2 meninas. O pai, Albert Chanel, era caixeiro-viajante e a mãe, Jeanne Devolle, era doméstica.

Depois da morte precoce da mãe, o pai de Chanel ficou com a responsabilidade de tomar conta das crianças. Devido à profissão de seu pai, Coco e as irmãs foram educadas num colégio interno – então Coco com 12 anos, Julia com 13 e Antoinette 8 anos; enquanto que os irmãos foram trabalhar em uma fazenda de faz-tudo.

Aos 18 anos, encontra sua tia, que com a mesma idade e a mesma ambição de fugir do internato. Em 1903, com 20 anos, trabalhou como costureira em uma loja de enxovais. Fez tentativas na área da dança e do teatro.

Cerca de 1907-1908, em uma viagem a Vichy com seu tio, ela se põe a cantar e começa a sonhar com o music-hall. Perto dos 24 anos, aparece o apelido 'Coco', porque tem o hábito de cantar:
Quem viu Coco no Trocadero? "Qui qu'a vu Coco dans l'Trocadéro ? "

Com 25 anos, Chanel conheceu um rico comerciante de tecidos, chamado Etienne Balsan, com quem passou a viver. Por volta de 1910, na capital parisiense, Coco conheçeu o grande amor da sua vida – um milionário inglês Arthur Boyle, que a ajudou abrir a sua primeira loja de chapéus. A loja Chanel iria tornar-se um sucesso e apareceria nas revistas de moda mais famosas de Paris. Algum tempo depois, Boyle acabou a relação com Gabrielle para se casar com uma inglesa e meses mais tarde morreu num desastre de carro.

Chanel abriu a primeira casa de costura, comercializando também chapéus. Nessa mesma casa, começou a vender roupas desportivas para ir à praia e para montar a cavalo. Pioneira, também inventou as primeiras calças femininas.

No início dos anos 20, Chanel conheceu e apaixonou-se por um príncipe russo pobre, Dmitri Pavlovich, que tinha fugido com a sua família da Rússia, então União Soviética. A sua relação com Paulovitch a fez desenhar roupas com bordados do folclore russo e, contratou 20 bordadeiras. Neste período, Chanel conheceu muitos artistas importantes, tais como Pablo Picasso, Luchino Visconti e Greta Garbo.

Suas roupas vestiram as grandes atrizes de Hollywood, e seu estilo ditava moda em todo o mundo. Além de confecções próprias, desenvolveu perfumes com sua marca. Os seus tailleurs são referência até hoje.

Em 1921, criou o perfume que a iria converter numa grande celebridade por todo mundo, o «Chanel nº5». O nome referia-se ao seu algarismo da sorte. Depois deste perfume, veio o nº17, mas este não teve o mesmo sucesso.

Durante a Segunda Guerra Mundial, Chanel fechou a casa e envolveu-se romanticamente com um oficial alemão. Reabriu-a em 1954. No final da guerra, os franceses conceituaram este romance mal e deixaram de frequentar a sua casa. Nesta década, Chanel teve portanto dificuldades financeiras. Para manter a casa aberta, Chanel começou a vender suas roupas para o outro lado do Atlântico, passando a residir na Suíça.

Devido à morte do ex-presidente norte-americano John Kennedy e à admiração da ex-primeira-dama Jackie Kennedy por Chanel, ela começou a aparecer nas revistas de moda com a criação dos seus tailleurs. Depois voltou a residir na França.

Faleceu no Hôtel Ritz Paris em 1971, onde viveu por anos. O seu funeral foi assistido por centenas de pessoas que levaram as suas roupas em sinal de homenagem.


Origem: Wikipédia

terça-feira, 13 de julho de 2010

Marie Curie

0 comentários

Para perceber a história maravilhosa de Marie Curie, temos que conhecer um pouco sobre a história da Polônia – um verdadeiro corredor da Europa, por onde passaram, marchando e destruindo, praticamente todos os povos existentes naquele continente. Centenas e centenas de suas mulheres foram violentadas por exércitos inimigos, invasores, força de ocupação, por fim sendo jogadas no estrangeiro, vivendo como podiam. Essa situação nômade por que passaram gerou o gentílico polaca, sinônimo de prostituta em grande parte do mundo, preconceito que as mulheres polonesas passaram então a sofrer.

Esse país se reergueu e se impôs e distribuiu grandes homens e grandes mulheres. Entre os maiores nomes, está Marya Sklodowska, com suas experiências e descobertas, revolveu e revolucionou o universo inteiro da Ciência.
  • Na língua polonesa não existe o verbo continuar, que é substituído por: "resistir como uma pedra".


Marya – nasceu em 7 de novembro de 1867, na capital Varsóvia, caçula de cinco irmãos, nos tempos tenebrosos da ocupação russa na Polônia. Seu pai Wladislaw Sklodowski, professor; sua mãe com pouca saúde, logo morreu. A vida foi dura para toda a família. Morre também a irmã mais velha, Zozia. A caçula cresce um tanto abandonada, carente de mimos de mãe. Estudiosa recebe medalha de ouro ao se formar do curso secundário. Para ajudar as finanças da casa, parte para dar aulas particulares. Ao completar 16 anos ela e suas duas irmãs, Brônia e Hela, começam a frequentar a Universidade Volante, cursando História Natural, Sociologia e Anatomia.


Arruma um emprego de governanta na casa de um fidalgo rural, para ajudar os estudos de medicina de sua irmã Brônia, em Paris. Era bem considerada pela família. Mas quando o filho do casal voltou de férias e se apaixonaram as coisas mudaram, todos os membros da família foram contrário ao matrimônio. Cedendo a pressão familiar o rapaz desistiu do namoro. Marya não derramou uma lágrima, suportou as feridas recriminações e continuou na casa e no seu trabalho, pois Brônia em Paris precisava de sua ajuda. Com essa passagem em sua vida, adquiriu uma filosofia pessimista:
"Se outrora sonhei, esses sonhos se evaporaram, estão enterrados, esquecidos. Porque os muros são sempre mais fortes do que as cabeças que tentam rompê-los".

Passado 3 anos o pai arrumou um emprego melhor, e passou a enviar dinheiro a Brônia em Paris, dando possibilidade a Marya a deixar o emprego e arrumar outro em Varsóvia, mais perto de casa. Brônia se casa em Paris e a convida para passar um tempo lá. Aos 24 anos em 1891, matricula-se no curso de Ciências da Universidade de Sorbonne. Aparência frágil, esguia, cabelos loiros muito claros, olhos cinzentos, testa larga, expressão obstinada, vestia-se sempre de preto. Logo afrancesou seu nome para Marie, vivia com a irmã e o cunhado, trabalhava no laboratório da faculdade. Não passou muito tempo e já recebeu o primeiro lugar no curso de física.

Resolveu morar sozinha, um espaço mais tranquilo. Um sótão, desprovido de água encanada e aquecimento, lavava sua própria roupa e as vezes passava semanas comendo pão e chá, as vezes acrescentava ovo e chocolate ou frutas.

Recebeu em:
  • 1893 primeiro lugar em Ciências Físicas
  • 1894 segundo lugar em Matemática
  • 1894 a encomenda de um estudo sobre as propriedades magnéticas de diferentes ligas de ferro, começou a investigação no laboratório do professor Lippman
Como o estudo demandava espaço foi convidada por seu professor o doutor Kowalski para conhecer um grande sábio de grande prestígio, para continuar seus estudos, se houvesse espaço em seu laboratório, e foi assim que Marie conheceu Pierre Curie. Trabalharam com extremo afinco. Não demorou muito ele lhe propôs casamento.


Pierre Curie – nasceu de uma família protestante em Paris. Seu pai e avô eram médicos, ganhou o título de Bacharel em Ciências aos 16 anos e licenciatura aos 18 anos. Sua filha o descreveu assim:
" Tinha um particular encanto, feito de gravidade e doçura. Era um homem grandalhão, à vontade dentro de roupas folgadas e fora de moda, mais havia nele muita elegância natural. Mãos compridas, sensíveis. Rosto regular, de pouca mobilidade. A beleza maior estava nos olhos calmos, de olhar profundo".
Casaram-se em 28 de julho de 1895 e passaram a morar num apartamento simples e sem luxo.

Pierre e Marie começaram os estudos sobre a procedência da energia que os compostos de urânio irradiam, inquirindo sobre sua natureza. Marie passava seus dias revolvendo massas de minério com uma estaca de ferro de estatura maior que a sua. Tinha pelo corpo queimaduras dos salpicos da massa em ebulição; o cansaço do dia a impedia de dormir. Mesmo assim esgotados, doentes e fatigados continuaram sua obra colossal. Marie adoeceu com reumatismo, por causa do local onde trabalhava: quente no verão, gélido no inverno, o teto furado por goteiras quando chovia, se nevasse ficavam congelados. Situação essa que perdurou por mais 4 anos.

Depois decifrado o enigma e a descoberta vitoriosa sobre o "rádio", começaram a receber propostas. O casal não sabia como proceder e qual caminho tomar:
  1. descrever os resultados das investigações, sem reserva alguma; ou
  2. passar a ser considerados inventores dos métodos de isolar e empregar o rádio, poderiam tirar patente, assegurar os direitos de fabricação e sair da miséria.
Concordaram em não comercializar a descoberta, porque seria a negação do espírito científico.
Receberam vários prêmios inclusive o Nobel de Física em 1903, dividido com Antoine Henri Becquerel e o casal Curie.

Tinham duas filhas, Irene e Eva, eram felizes e se amavam. Em 19 de abril de 1906, atropelado em um dia chuvoso, morre Pierre Curie. O ministro da Instrução Pública, assinou em 12 de maio um decreto que cedia a Madame Curie a cadeira que ficava vaga em virtude da morte do seu marido. Com esse decreto, findou-se uma tradição, pois foi a primeira vez na história da educação francesa que uma mulher ocupou uma cátedra de ensino superior.

O casal Curie sempre defendeu e lutou pela dignidade humana e pela igualdade de direitos para todos. O Prêmio Nobel de Química de 1911 foi de Marie Curie, única pessoa do mundo a ser agraciada duas vezes com esse prêmio.

Começaram sua queixas de cansaço. Os exames de laboratório demonstravam que a constituição de seu sangue não era normal. Marie se expusera a emanações de elementos radioativos por 35 anos, sendo que nos quatro anos que trabalhou nos hospitais, durante a guerra, permanentemente exposta às radiações mais danosas dos raios X.

Marie Curie faleceu em Sancellemoz a 4 de julho de 1934 de anemia perniciosa de marcha rápida, febril. Seu corpo foi enterrado sem cerimôniais no cemitério de Sceaux, ao lado da campa de Pierre Curie.

Origem: "Mulheres que mudaram o mundo' de Gabriel Chalita e fotos de nobelprize.org

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Irmã Dulce

0 comentários
– Peregrina da Caridade –

Palavras de uma peregrina da caridade da Índia, Madre Teresa de Calcutá; para falar de outra peregrina, a brasileira Irmã Dulce. Ambas semelhantes, sobretudo no amor aos desvalidos.





"Nossos moribundos abandonados, nossos leprosos, nossas crianças sem assistência, paralíticas, têm necessidade de amor, de compaixão, de calor humano. O dinheiro não basta. Eles têm necessidade de que nossas mãos lhes prestem serviço, de que os nossos corações lhes ofereçam amor..."


Nascida a 26 de maio de 1914, em Salvador na Bahia. O pai professor catedrático da faculdade de Odontologia da Bahia. Aos 6 anos perdeu a mãe, falecida no parto de sua filha Regina, quando tinha apenas 26 anos. Os 4 irmãos e o pai se uniram, mais as 3 tias do lado paterno, para criarem as crianças.

Menina alegre e travessa, gostava de brincar de empinar pipa, de guerra e de futebol, onde ia com o pai aos estádios aos domingos.

Certa vez, uma das tias a levou em uma visita aos doentes e pobres da Baixa do Sapateiro e algo tocou-a profundamente. A dedicação aos pobres começou a ser o sinal distintivo dessa garota de 13 anos. Não era vaidosa, preferia rezar, meditar em recolhimento. Quando decidiu pela vocação religiosa, encontrou no pai o conselheiro prudente e receptivo. Formou-se professora e foi ser freira. Em 15 de agosto de 1933, recebeu o hábito de freira, prestando os votos de obediência, pureza e pobreza. Troca o nome de infância – «Maria Rita de Souza B. Lopes» pelo da mãe – Dulce, e entrega-se totalmente ao serviço de Deus.

  1. como enfermeira serviu no Sanatório Espanhol, atendia à portaria, telefone e trabalhava na limpeza do prédio
  2. fez curso de prática farmacêutica, para socorrer aos doentes, aprendendo a manipular os remédios
  3. foi professora no Colégio Santa Bernadete, lecionou Geografia
  4. dedicou-se aos moradores do mangue. Em suas visitas aos manguezais de Itapagipe, levava algum conforto, roupas e dinheiro
  5. fundou a união Operária de São Francisco, primeiro movimento cristão operário de Salvador, com posto médico, farmácia e cooperativa de consumo
  6. construiu 3 cinemas com apoio dos franciscanos. A renda resolveu o problema dos recursos para a continuidade do Círculo Operário
  7. em 1960 inaugura o Albergue Santo Antônio (depois de passar com seus doentes pela ilha dos Ratos e o galinheiro de um convento), com 150 leitos
  8. no albergue arranjava ocupação para os que desejassem
  9. pegava as crianças na rua a noite, mesmo aqueles que não aceitavam a ajuda, esperava elas dormirem e com firmeza os segurava
  10. construiu em Simões Filho, um orfanato modelo, com mais de 500 meninos. Estudavam, aprendiam profissão, tinha horta e fornecia verduras e hortaliças, tanto para os meninos como para os doentes do hospital
  11. construiu um Centro de Recuperação dos Menores Abandonados
  12. em 1969 com recursos vindos de fontes diversas, incluindo a do povo, foi construído o novo Hospital Sto Antônio
  13. o papa João Paulo II a visitou e lhe presenteou com um terço

No ano em que caiu doente de cama, gravemente enferma, o povo não arredou o pé da porta do convento. Levantou-se no dia de Sto Antônio, 13 de junho e o povo considerou seu restabelecimento um milagre do Santo.

Ela mal se alimentava e sofria muito com um enfisema pulmonar que a obrigava dormir sentada, suas 4 horas diárias de sono; mal respirava, pois sua capacidade respiratória era de 35%.

Em 14 de março de 1992, as manchetes dos jornais da Bahia seguiam mais ou menos esta:
– Morreu a santa Irmã Dulce, 77 anos.
Morreu no hospital Sto Antônio, após dias de grande sofrimento.


Origem: 'Elas, mulheres que marcaram a humanidade' de Lúcia Pimentel Góes

sábado, 10 de outubro de 2009

A viúva Clicquot

0 comentários


Barbe-Nicole Clicquot Ponsardin
inventou a champanhe tal como se conhece hoje, expandiu seus negócios pelo mundo e criou um pioneiro sistema de distribuição de lucros entre funcionários, no século XIX. Temida pela concorrência, a viúva Clicquot deu novo significado à expressão "mulher de negócios".

Residência de madame Clicquot - Castelo em Boursault

Sempre que a aristocracia europeia do século XIX queria brindar com a mais pura espuma fervilhante de champanhe, pedia "la veuve" (a viúva). Não era preciso dizer mais. Todos sabiam que a senhora em questão era uma garrafa de Veuve Clicquot, o único espumante da época cristalino, doce na medida, cujas bolhas formavam delicada coroa ao chegar à borda da taça. Mas raramente madame Barbe-Nicole Clicquot Ponsardin, a viúva em pessoa, estava presente neste tipo de comemoração. Diferentemente da famosa bebida que tinha seu nome, não há notícia de que algum dia tenha saído da França; no máximo viajava a Paris, a 140 km de Reims, onde nasceu e trabalhou a vida inteira.


Com o tempo, tal invisibilidade social fez dela uma das mais ilustres desconhecidas dos últimos 200 anos. Hoje, poucos sabem que foi a primeira grande empresária internacional, responsável por transformar o vinho espumante em símbolo de bebida de luxo. Dessa mulher restou uma só imagem, estampada desde 1972 na tampa de metal dos 8 milhões de garrafas produzidas anualmente pela maison. O retrato pintado na década de 1860 por Léon Cognie, mostra uma octogenária vestida de negro. A imagem não condiz com a empreendedora trabalhadora, muitas vezes temerária, que fez de uma pequena empresa familiar um império proprietário de 275 hectares dos melhores vinhedos da região de Campagne.



Barbe-Nicole Ponsardin nasceu numa das mais ricas famílias de Reims. O pai Nicolas, fez fortuna no ramo têxtil (faturava o equivalente a 800 mil dólares por ano) e planejava para a primogênita um casamento com título de nobreza. A derrubada da monarquia pela Revolução Francesa em 1789 acabou com o sonho e ameaçou a vida da menina, de 11 anos, assim como a de toda a burguesia, identificada como inimiga do povo. Foi graças a ajuda da costureira da família que ela conseguiu fugir antes da invasão do Convento Real de Saint-Pierre-des-Dames, tradicional escola da elite. Disfarçada de camponesa, atravessou a pé a cidade com sua salvadora, que a escondeu em casa, na segurança do subúrbio pobre.


A genética também contribuiu. Dos 3 filhos de Nicolas, aquela ruivinha de olhos acinzentados foi a única que herdou sua capacidade de se adaptar às circunstâncias. Apesar de monarquista e católico fervoroso, monsenhor Ponsardin conseguiu cair nas graças do novo governo republicano, que considerava a religião um crime. Assim conservou a cabeça, o prestígio e a fortuna. Manteve a mansão na praça principal de Reims, onde foi realizada em 10 de julho de 1798 a cerimônia secreta do casamento religioso de sua filha com François, herdeiro do milionário produtor têxtil Philippe Clicquot.
Vizinhos desde a infância, imaginava-se que os noivos fossem amigos, o que explicaria a cumplicidade do casal. Sonhador e violinista talentoso com tendências a depressão, François, não se interessava por tecidos; queria construir fortuna com o comércio de vinhos. Os recém-casados quase nada sabiam de vinho, mas uniram forças e terras num plano ambicioso: abastecer o promissor mercado russo com o forte e adocicado espumante da região, muito ao gosto do czar Alexandre I. Uma bebida fina e exclusiva – o champanhe Clicquot. O primeiro carregamento ficou pronto para a venda, em 1803, quando Napoleão mergulhou a Europa num conflito que duraria 12 anos. Já não havia compradores nem dinheiro para bebidas finas. Entre as primeiras vítimas das guerras napolêonicas estavam a empresa dos Clicquot. François morre em 23 de outubro de 1805, devido a febre tifoide, mas circularam boatos de que teria cortado a garganta em desespero pela falência iminente. Aos 27 anos e com uma filha de 6 anos, Barbe-Nicole fez o que na época apenas a viuvez permitia a uma mulher: assumiu os negócios. Com o apoio do pai e do sogro, teve como sócio um amigo das famílias, o rico proprietário vinícola Alexandre Jérôme Fourneau.


Com o bloqueio as exportações imposto à França pelos portos europeus, diz sua biógrafa que a viúva "começou a brincar com a ideia" do contrabando. Até 1810, seu espumante chegou às cortes inimigas e aliadas a bordo de navios que não podiam transportá-lo. As garrafas tornaram conhecido e apreciado o vinho da viúva Clicquot. Forneau abandonou a sociedade depois de conseguir o capital que tinha investido. Para manter viva a agora Veuve Clicquot Ponsardin e Companhia, produziu vinho tinto barato para o mercado interno, vendeu todos os colares de raras pérolas rosadas e um fabuloso diamante avaliado em 60 mil dólares (valor atual), dispensou funcionários, encheu as adegas com a fabulosa safra de 1811. Em abril de 1814, quando Napoleão abdicou, foi a primeira a chegar aos mercados que se abririam em breve. Quando Alexandre I anunciou o fim do embargo à Franca, 10 550 garrafas de Veuve Clicquot 1811 já estavam no porto prussiano de Konihsberg (perto de São Petersburgo) e outras 12 780 a caminho. Disputadas a peso de ouro, foram vendidas pelo equivalente a 100 dólares cada uma. Foi o único champanhe servido no aniversário do rei prussiano e saudado como o melhor do mundo – e começou a tornar madame uma das mulheres mais ricas da época.


Menos de 2 anos depois ela faria com que todos se curvassem também à sua competência técnica ao inventar o remuage – processo usado até hoje para melhorar a qualidade da champanhe removendo os resíduos que o deixam turvo, diminuindo o tempo e os gastos de produção; técnica para armazenar garrafas de cabeça para baixo, permitindo eliminar rapidamente os resíduos acumulados durante a segunda fermentação, essencial para a formação de bolhas. Por quase uma década, essa descoberta foi mantida em segredo, graças ao respeito que ela inspirava e a um sistema de participação nos lucros a empregados em posições-chaves.

















































































Além do trabalho, a viúva tinha 3 paixões:
  1. romances de cavalaria
  2. comprar e decorar casas e
  3. homens jovens e bonitos
Ao se aposentar, aos 64 anos, em 1841, deu 50% da Clicquot a um dos seus protegidos, Édouard Werlé, um alemão que ela preparou para sucedê-la. Ela sabia não ter herdeiros para tocar seus negócios (após sua morte a casa foi administrada por Werlé e seus descendentes até ser comprada, em 1986, pelo grupo multinacional Louis Vuitton Moet Hennessy). Só a bisneta Anne mostrava tino comercial, mas preferia moda a champanhe. Para ela escreveu uma carta que é um autorretrato:


  • "Minha querida (...) você, mais do que ninguém, se parece comigo, pela audácia. É uma qualidade que me valeu muito... hoje sou chamada a Grande Dama do Champanhe! O mundo está em perpétuo movimento e precisamos inventar o amanhã. É preciso passar à frente dos outros, ter determinação e exatidão e deixar a inteligência conduzir a sua vida. Aja com audácia".







Barbe-Nicole morreu em 29 de julho de 1866, aos 89 anos, em seu castelo em Boursault, vale do Marne. Na época, 750 mil garrafas de Veuve Clicquot eram vendidas no mundo inteiro. Realizara o sonho do marido François e até o de seu pai – todas as mulheres da família ostentam títulos de nobreza – as irmãs por casamentos; ela porque, como disse o escritor Prosper Mérimée, era "a rainha não coroada de Reims".

A historiadora americana Tilar J. Mazzeo reuniu em um livro algumas informações da "viúva": A Viúva Clicquot – A História de um Império do Champanhe e da Mulher que o construiu (Ed. Rocco)



Origem: Revista Claudia nº 10 ano 48 - outubro 2009 e gowheregastronomia.terra.com.br

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

A atriz

0 comentários

Sara Bernhardt
(1844-1923), cresceu na Bretanha, conhecendo apenas a afeição da pobre ama camponesa.

Certa vez, caiu no fogo, pois estava presa a uma cadeirinha, enquanto a ama trabalhava na colheita de batatas. Seus gritos foram ouvidos, acudiu muita gente. Seu apelido era Flor-de-leite, e ela foi submergida em leite recém tirado e untada com manteiga. Apareceram tias de todos os lados. Sua mãe, viajava pelo mundo e raramente aparecia para visitá-la. Um dia atirou-se pela janela, quebrou um braço em dois lugares e partiu a rótula. Levou dois anos para curar-se, por ser extremamente frágil. Aos sete anos foi para o internato. Quis ser freira. Foi enviada para o conservatório, para estudar arte dramática.

Ficou conhecida por ter gênio violento. Magra, franzina, pálida, olhos vivos, boca amargurada, cabelos crespos de um loiro dourado. Uma de suas primeiras apresentações representou uma russa desmiolada, numa peça fraca. Os comentários impiedosos da mãe a fizeram partir para Espanha. Quando regressou, não conseguiu mais morar com a mãe e mudou para outra casa e levou sua irmã caçula, ainda pequena. Logo consegue um contrato com o Teatro Odéon. A primeira peça não lhe rendeu nada, mas Zacharie marcou seu triunfo. Sua voz impressionou a todos, e seus gestos harmoniosos. Passou a ser a preferida dos estudantes. Nesse teatro realizou-se, embora na Commédia Française tivesse aprendido muito. Linda voz, perfeita dicção era aclamada com delírio.

Veio a guerra entre a França e a Espanha, Sara conseguiu autorização do Ministério da Guerra para a fundação de um hospital militar. Conseguiu arrecadar doações de seus amigos, do Prefeito, o conde Kératry; seu velho amigo. Depois do tratado de paz de 1871, procurou trazer a família de volta à Paris.

Em 26 de janeiro de 1872, no Teatro Odéon viveu seu dia mais glorioso:
  • ao fim da representação de Ruy Blas, do escritor Victor Hugo, este ajoelhou-se a seus pés agradecendo
Fez uma viagem à Inglaterra, turnê verdadeiramente triunfal. Oscar Wilde lançou-lhe aos pés, para que pisasse, uma braçada de lírios. Sendo também, pintora e escultora, vendeu suas peças e com o dinheiro queria comprar leões. Tinha fascinação pelos animais. Demitiu-se da Commédie Française e aceitou excursionar pela América durante sete meses:
  • 50 cidades e 156 espetáculos
Em 1905 viajou em turnê para o Brasil, Argentina e Estados Unidos. No Rio de Janeiro, no Teatro Lírico, recita a Tosca de Sardou, na cena do suicídio em que a personagem se atira de uma sacada, ela sofre uma fratura exposta, que mais tarde, em Paris, acabou gangrenando e ela teve que amputar a perna.

Ela dividia as preferências do público com a grande Eleonora Duse, mas os grandes homens de seu tempo a rodeavam:
  1. Freud
  2. Flaubert
  3. Victor Hugo
  4. Alexandre Dumas,
e uma enorme lista incluindo altezas e artistas.

Maurice seu filho, nasceu de um amor vivido com um herdeiro imperial, mas ela não fez questão do reconhecimento do filho, pelo pai. Maurice era belíssimo.



Atingiu o máximo do sucesso. Classificavam sua voz como "soprano coloratura" ou "mezzo soprano". Sua voz tinha vibrações, modulações de timbre inigualável, de pureza radiosa. Mereceu ser chamada de "A divina S". Mas a descida foi terrível, sua voz principiou a alterar, perdera as modulações harmoniosas, fugiu do palco. Sofrendo intensamente, atuava em papéis cada vez mais reduzidos. Ainda era seu o título de maior atriz da França.

Somando-se à perda vocal, os efeitos da queda que sofrera quando criança e a deixara entrevada por dois anos, retornaram com gravidade. Teve de passar pelo trauma e pela dor atroz da cirurgia de amputação. Surpreendendo a todos, voltou à ribalta, uma guerreira tem direito à sua última batalha. A perna mecânica tornando seu andar rígido, o esforço transparecendo nas feições. Morreu aos 79 anos em 1923.






Origem: do livro 'Elas mulheres que marcaram a humanidade' de Lúcia Pimentel Góes

sábado, 4 de julho de 2009

Messalina – a devassa

0 comentários
Entregava-se,
Noite após noite, ao prazer
mais refinado da sedução.
Para ela a suprema
delícia era o reino
das carícias, do desejo amoroso e da fusão
sensual.


Ela organizara uma noite de orgia. Aos seus convivas, deitados em macios e luxuosos divãs, fez representar um culto do princípio da fertilidade, o culto do deus do amor. Uma mulher de grande beleza foi conduzida a uma espécie de altar. Mãos hábeis, em movimentos rituais, tiravam seus trajes, um a um, desvelando sua nudez. Ante olhares ávidos, surgiu um corpo sensual e provocante, causando excitamento entre os convidados. Os tambores principiaram a rufar. A jovem nua começava a dançar, ondulando o corpo em meneios langorosos, lentos a princípio, acelerando, progressivamente, acompanhada pelos tambores, até ambos, mulher e som, atingirem ritmo frenético, fazendo todos explodirem em paixão.

Ela era a quinta esposa de um imperador incapaz de prender a afeição de uma mulher. Frustrada, insatisfeita, foi se entregando a uma vida licenciosa e lúbrica. Para manter sua influência sobre o imperador, rodeava-o de lindas escravas. Cautelosa, não querendo perder o trono, ordenou fossem assassinadas as parentes cuja beleza receava.

Foi quando se apaixonou-se por Sílius, considerado por todos os mais belo dos jovens romanos, e desposou-o em banquete suntuoso. Os salões foram iluminados por milhares de tochas. As mulheres imperavam, pois Roma era um matriarcado corrupto, egoísta e ávido. A maioria delas tinha feições marcadas pela depravação, cobertas por cosméticos, exibindo jóias ofuscantes. Loiras, morenas, ruivas tinham os cabelos penteados, presos em redes faiscantes de pedras, ou em tranças entremeadas de fitas, à moda grega. Ouro, pedraria, braceletes, colares, anéis faiscavam. No ar, em torrentes, podia-se aspirar o perfume que corpos e tecidos exalavam. Entre damas de alta linhagem, também desfilavam cortesãs afamadas, escravas libertas.

E então, uma onda perpassou, elevando-se em forte murmuração. Todos ergueram-se, soou uma trombeta. Surgiu majestosa, a túnica toda bordada a ouro, os seios nus, exibidos orgulhosamente, alvos e impecáveis. Junto dela, Sílius, de cabelos de sol, belo como Adônis, alto e elegante. Solenemente juraram amor, e o imperador assinaria depois o contrato, pensando assim conjurar as ameaças dos vaticínios dos adivinhos. Noite de orgia das mais memoráveis.

Mandou matar Júlia, irmã de Calígula, de quem receava a beleza. Outra parente desta foi também assassinada. Entre suas crueldades, não faltou a cobiça. Por esta, perpetrou outras mortes.

Como Sílius era cônsul, todas as riquezas da casa imperial passavam para a sua. Tal fato representava uma ameaça, pois ele tornava-se quase onipotente. Armou-se a conspiração, Sílius suicidou-se. A imperatriz, não ousando enfrentar a morte, acabou apunhalada por um tribuno.

Ela, tal Afrodite seguida de lobos cinzas, leões de pelo fulvo, ursos e panteras rápidas, todos vorazes em sua fome, imperou nos salões dissolutos de sua corte. Ela, a grande meretriz... a seguidora da Babilônia, prostituta, a devoradora de homens. Atravessou os séculos, inscrevendo-se na História como nome de mulher extremamente dissoluta e devassa...

trecho do livro: 'Elas Mulheres que marcaram a humanidade' de Lúcia Pimentel Góes

sábado, 25 de abril de 2009

Catarina de Aragão, a eterna rainha da Inglaterra

0 comentários


Catarina de Aragão – Princesa de Espanha (16 de dezembro de 1485, Alcalá de Henares — 7 de janeiro de 1536, Castelo de Kimbolton, Huntingdonshire) foi a primeira rainha consorte de Henrique VIII de Inglaterra. Foi ainda a mãe da rainha Maria I. Catarina, durante a juventude, foi efusivamente aclamada pela beleza e inteligência. 

Conversava tanto em seu espanhol nativo, quando em latim, francês e, mais tarde, inglês. Quando rainha, seu tempo foi majoritariamente empenhado em obras de caridade, o que lhe conferiu o amor do povo inglês, sendo, até hoje, a rainha consorte mais amada por eles. Seu túmulo em Peterborought nunca está sem flores, apesar de passados quase cinco séculos desde sua morte.




Catarina nasceu em Alcalá de Henares e foi a filha mais nova dos Reis Católicos Fernando II de Aragão e Isabel I de Castela. Em 1501, Catarina casou com Artur Tudor, Príncipe de Gales, como contratado desde a infância dos dois. O rei Henrique VII , pai de Artur , ofereceu uma grande cerimônia de casamento. O casal foi viver no País de Gales mas pouco tempo depois Artur morreu repentinamente de malária. Catarina tornou-se viúva aos 16 anos. A sua determinação em ser rainha da Inglaterra a levou a afirmar que o casamento não fora consumado devido a pouca idade de ambos, o que foi a base da dispensa concedida pelo Papa Júlio II para uma nova união. Catarina estava determinada a ficar noiva de Henrique, seu cunhado de apenas 11 anos , e que com a morte do irmão mais velho, seria agora Príncipe de Gales e herdeiro do trono. O rei Henrique VII, porém o achava muito jovem para comprometê-lo, e o noivado teria que lhe render muitos benefícios, o que Catarina não poderia oferecer no momento. A situação de Catarina na Inglaterra ficou complicada, pois seus pais não queriam que ela voltasse para a Espanha sem os direitos de viuvez, o que o rei não concedia por não ter recebido a segunda parte do dote. Após um ano da morte de Artur, a rainha morreu no parto de um bebê natimorto. O rei então propôs casamento a Catarina, que primeiramente aceitou, vendo dessa maneira a forma de realizar o seu sonho de ser rainha. Porém, quando soube que seus herdeiros não teriam preferência na coroa sobre Henrique, ela recusou a proposta, o que deixou o rei enfurecido. O rei então promoveu o noivado de Catarina e Henrique VIII, sem nenhuma intenção de honrar o compromisso. Apenas manteria Catarina sem nenhum pretendente. Catarina então passou a viver afastada da corte, empenhando suas jóias para se manter e contando com seu séquito de leais serviçais espanhóis. Após seis anos, o rei morreu, e surpreendentemente Henrique quis imediatamente se casar com Catarina.

O casamento ocorreu apenas a 11 de junho de 1509 depois da ascensão ao trono de Henrique VIII. Catarina era extremamente popular junto da população, quer como rainha, quer como Princesa de Gales. Em 1513 chegou mesmo a servir como regente da coroa durante uma ausência de Henrique VIII que comandava a guerra com a França, sendo vitoriosa na Batalha de Flodden, quando defendeu a Inglaterra da invasão escocesa. Após algumas gravidez falhadas, Catarina deu à luz um rapaz, Henrique, que morreu pouco tempo depois. A sua última gravidez em 1516 resultou numa filha, a futura Maria I de Inglaterra.

Depois de Maria, Catarina não voltou a conceber, o que deixou Henrique preocupado com a sucessão. A Guerra das Rosas como consequência de instabilidade dinástica estava ainda bem presente na memória coletiva. Particularmente preocupante para Henrique, um estudioso de questões teológicas, era a afirmação contida no Levítico de que se um homem casar com a mulher do irmão, o casamento será estéril. Convencido de que Catarina teria mentido quanto à consumação do casamento com Artur, Henrique VIII começou a procurar a anulação do casamento em 1527. Ao mesmo tempo, arrancara de Ana Bolena a promessa de que ela seria sua amante e futura mulher. No Vaticano a tomada de decisão arrastou-se por sete anos. As gestões de Thomas Wolsey não foram bem sucedidas. O papa Clemente VII não parecia disposto a conceder a anulação por duas razões: primeiro esta sempre foi a doutrina da igreja e o comportamento do papado e depois poderia também ser visto como uma admissão de equívoco da igreja que concedera validamente, segundo as regras canônicas, a dispensa, segundo porque Clemente era uma marioneta política nas mãos do Imperador Carlos V, sobrinho de Catarina, a quem não convinha o fim da união. Cansado de esperar, Henrique separou-se de Catarina em 1531 e em 23 de maio de 1533, o Arcebispo da Cantuária Thomas Cranmer anulou a união sem aprovação do Vaticano. A implementação do Ato de Supremacia e a separação da Igreja Anglicana da Igreja de Roma, consumou a anulação.

Catarina foi separada da filha, a princesa Maria, e exilada da corte para viver na província, embora com todos os privilégios de uma Princesa de Gales. Mas jamais aceitou o divórcio e a despromoção e continuou a assinar a correspondência como Catherine the Queen. Catarina morreu em 7 de janeiro de 1536, vítima de uma doença prolongada, possivelmente cancro, e foi sepultada na Catedral de Peterborough com as honras de uma Princesa de Gales.

Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Maria Antonieta Habsburgo da França

0 comentários
Maria Antonieta de Áustria (Maria Antônia Josefa Joana de Habsburgo-Lorena) (Viena, 2 de novembro 1755 -Paris, 16 de outubro 1793), arquiduquesa da Áustria e rainha consorte de França de 1774 até a Revolução Francesa, em 1789. Maria Antonieta era a filha mais nova de Maria Teresa de Habsburgo e de Francisco Estêvão de Lorena, respectivamente, rainha soberana da Áustria e imperador do Sacro Império Romano Germânico. Casou-se em 1770, aos catorze anos de idade, com o delfim francês Luís Augusto, que, em 1774, tornou-se o rei de França, com o nome de Luís XVI.

Infância
A infância de Maria Antonieta teve como cenário a corte de Viena. Ainda é conhecido hoje em dia o seu noivado com Mozart, o grande compositor, que, sendo então apenas uma criança de 5 anos, acreditava ingenuamente estar noivo da formosa filha dos soberanos do Sacro Império Romano-Germânico. Sua formação foi católica conservadora rígida.
A sua mãe, a Imperatriz Maria Teresa da Áustria, seguindo a prática dos soberanos da época, colocou o casamento dos seus filhos ao serviço da sua política externa. Sua filha Maria Cristina, regente dos Países Baixos desde 1681, pôde casar por amor com Alberto de Saxe, em 1776, mas tal não aconteceu com as outras filhas: Maria Amélia (1746-1804) casou com Fernando I, duque de Parma (1751-1802); Maria Carolina (1752-1814) casou com Fernando I, rei de Nápoles e das Duas-Sicílias (1751-1825). O casamento de Maria Antonieta com o delfim (príncipe real) de França, Luís Augusto, futuro Luís XVI, foi o corolário de uma política que visava a reconciliação da Casa de Habsburgo com a Casa de Bourbon, limitando assim as ambições da Prússia e Inglaterra. (na foto M.Antonieta com 12 anos)

A vida de delfina
Sendo filha da Imperatriz da Áustria, Maria Antonieta estaria vocacionada a exercer alguma influência política na França. Casou em 1770, com apenas catorze anos, tornando-se rainha com dezoito anos ou seja quatro anos depois, quando o seu marido foi coroado rei Luís XVI. No início da sua vida em Versalhes, num piscar de olhos, Maria Antonieta usou sua nova posição para criar uma certa "fantasia". Dispensou boa parte das damas de companhia, e povoou a corte de gente jovem e elegante. A Rainha adorava organizar corridas de cavalo, e se divertia em passeios de carruagem. Estas, por ordem dela, corriam a toda velocidade. O que mais fascinava Maria Antonieta, entretanto, eram as festas das noites parisienses, e a animação das mesmas. Freqüentava óperas, teatros, e participava de bailes. Nestes, as mulheres compareciam mascaradas. Assim, podia se misturar com plebeus, sem ser, no entanto, reconhecida. Luís XVI não se incomodava em deixá-la ir se divertir sem ele. Maria Antonieta teve várias amigas, como a princesa de Lamballe e a duquesa de Polignac. Maria Antonieta, também, interessou-se pela filosofia política, história, e literatura, subsidiando autores como Mercier, um dos primeiros dramaturgos e teóricos do teatro romântico em França. O período antes da revolução foi de grande atividade literária, sem qualquer censura. Em 1788, a tortura chegou a ser abolida.

A vida de rainha
Em 1774, com a morte de Luis XV, seu marido Luís Augusto foi coroado como Luís XVI. O povo a amava mas ainda era vítima de piadas por não gerar um filho. Entretanto, em 1781 Maria Antonieta teve sua primeira filha, Maria Teresa Carlota.

A vida no Petit Trianon
Ao ter sua primeira filha, Luis XVI, seu esposo, deu-lhe de presente o célebre Petit Trianon, um palácio de pequenas dimensões nas imediações de Versalhes, o qual denominou "novo refúgio". Existindo, afinal, uma "mini-villa" campestre, onde havia vários animais do campo, uma horta e, obviamente, criados para a manutenção do espaço, Maria Antonieta tornou-se mais simples, algo notável nas suas roupas, que se tornavam agora menos complexas e luxuosas. Supostamente, ali terá conhecido o conde Fersen, com quem manteve um romance. Porém este tempo de paz veria o fim brevemente, após diversos escândalos do interior do palácio que viraram manchetes políticas, e de um Inverno rigoroso, que destronou a produção agrícola e emergiu a população num autêntico morticínio, devido à escassez de alimentos e ao frio e, consequentemente, à fome. Estava prestes a começar o declínio de Maria Antonieta. (na foto M.Antonieta na fase rural)

O declínio
Tendo desautorizado as reformas financeiras propostas por Turgot e Necker, os seus inimigos apelidaram-na de "a austríaca", "madame" ou "rainha do déficit". O escândalo provocado pelo caso do colar de diamantes e a campanha de panfletos denegrindo a sua imagem levou-a a um certo isolamento, deixando de receber audiências de nobres e literatos, o que a afastou ainda mais da alta sociedade francesa. Atribui-se, à Maria Antonieta, uma famosa frase: "Se não têm pão, que sirvam brioches", que teria sido proferida a uma de suas camareiras certa vez que um grupo de pobres foi ao palácio pedir pão para comer. No entanto, é consenso entre os historiadores que a rainha nunca disse a frase, que acabou sendo usada contra ela durante a Revolução Francesa. Os registros históricos mostram, claramente, que, na época de sua coroação, Maria Antonieta se angustiava com a situação dos pobres. Em uma de suas cartas à mãe, ela chega a comentar o alto preço do pão. Diz, também, o seguinte: "Tendo visto as pessoas nos tratarem tão bem, apesar de suas desgraças, estamos ainda mais obrigados a trabalhar pela felicidade deles".

A Revolução
Em 1789, a família real foi detida no palácio de Versailles e levada pelos revolucionários para o Palácio das Tulherias. Ficou aí detida com seu marido e filhos, até que, em 1792, com o auxílio do conde Axel Fersen, foi tentada uma fuga, mas foram reconhecidos e detidos quando passavam em Varennes. Esse episódio ficou conhecido como a "Noite de Varennes".
Durante a Revolução, os seus inimigos alegavam que ela recusava as possibilidades de acordo com os moderados, procurando que o rei favorecesse os extremistas para inflamar mais a batalha. Depois da fuga e prisão em Varennes, alegavam também que ela procurava romper um conflito bélico entre França e Áustria, esperando a derrota francesa.
Depois da execução de Luís XVI, Maria Antonieta ficou conhecida como "Viúva Capeto", sendo condenada à morte por traição, morrendo na guilhotina em 16 de Outubro de 1793.

O julgamento
Maria Antonieta sentou-se sobre um assento de madeira. Dois meses de Conciergerie haviam feito daquela rainha de 38 anos uma velha. Seus olhos estavam vermelhos de tanto chorar, com hemorragia e os seus cabelos loiros ficaram brancos. O presidente procedeu o interrogatório. Quando lhe foi perguntado seu nome, a acusada respondeu, com voz alta e clara: "Maria Antonieta da Áustria e da Lorena, trinta e oito anos, viúva do rei da França."
As perguntas sucederam-se de modo desordenado, algumas sem a menor importância. De repente, houve o testemunho sensacional de um sapateiro, um certo Simon: Maria Antonieta, durante seu cativeiro, teria submetido seu jovem filho a atos incestuosos. A acusada ficou pálida e visivelmente emocionada: "A natureza se recusa a permitir tal acusação feita a uma mãe", gritou ela: "Eu apelo a todas as mães que por ventura aqui estiverem". Esse tom sofrido produziu sobre todos uma forte impressão. As pessoas recusaram-se a acreditar em tamanha monstruosidade. Em seguida, foi a vez das testemunhas. Quarenta e uma pessoas desfilaram por ali, sem fazer qualquer contribuição útil ao processo. No interrogatório, ela foi acusada de ser a instigadora da Guerra Civil.
  • Maria Antonieta foi condenada à morte e foi decapitada no dia 16 de outubro de 1793. Ela foi ao suplício numa gaiola (Luis XVI teve um carrossel). Seu corpo foi colocado numa fossa comum ao lado de seu marido e após o regresso dos Bourbons, após a derrota de Napoleão, os corpos foram sepultados na Basílica de Saint-Denis (perto de Paris) e no sítio da fossa comum foi edificada a "Capela Expiatoire".
Descendência
teve 4 filhos:
  1. Maria Teresa Carlota ( 1778 -1851 ) casou com seu primo Luis Antonio Artois (filho de Carlos X, irmão de Luis XVI) - sem descendência
  2. Luis (1781-1789) 
  3. Luis XVII ( 1785 - 1795 ) morreu na prisão 
  4. Marie Sophie Hélène Béatrice ( 1786 - 1787)
Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre

Dica: Leia o livro 'Maria Antonieta, 
a última rainha da França' de 
Evelyne Lever da Editora Objetiva.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

A rainha virgem

0 comentários
Elizabeth I - rainha da Inglaterra








Isabel I (7 de setembro de 1533 — 24 de março de 1603), também conhecida no Brasil sob a variante Elisabete I ou Elizabeth I, foi Rainha da Inglaterra e da Irlanda desde 1558 até à sua morte.
Também ficou conhecida pelos nomes de A Rainha Virgem, Gloriana e Boa Rainha Bess.














O rei inglês Henrique VIII, era casado com a espanhola Catarina de Aragão. O soberano era louco para ter um filho homem, no entanto sua esposa lhe deu uma filha, Mary. Mas, o rei queria muito um menino, para que fosse seu sucessor, então resolveu casar-se novamente. A Igreja Católica não permitiu que o rei se casasse novamente, a não ser que ele obtivesse o aval do papa, mas esse lhe foi negado. Com a convicção de que só uma nova esposa lhe daria o tão sonhado filho, Henrique VIII fundou a Igreja Anglicana. Foi aí que pôde se casar com Anna Bolena, porém, essa também lhe deu uma filha, Elizabeth. Rejeitando a esposa por ter lhe dado uma menina, Henrique VIII forjou uma acusação de adultério, que resultou na decapitação de Anna em 1536. O rei casou-se novamente, com Jane Seymour, que morreu logo após dar a luz ao filho tão desejado, Edward.

Mesmo depois de realizado seu desejo, o soberano casou-se e descasou-se diversas vezes. Quando Elizabeth completou 13 anos de idade, Henrique VIII morreu. Como era esperado, Edward I assumiu o trono, tinha apenas 9 anos de idade.
O novo rei era de saúde frágil, permaneceu no trono por pouco tempo, quando, em 1553, morreu de tuberculose. A sucessora por direito foi Mary, ela era católica, o que revoltava os anglicanos, por isso eles apoiavam Jane Grey, uma parente distante do rei morto, para assumir o poder. Mary conseguiu deter os revoltosos e garantir o poder. Era uma mulher muito nervosa e paranóica, após assumir o trono tratou de restaurar sua religião no país, mandou 300 pessoas para a fogueira. Além disso, casou-se, em 1554, com o então rei da Espanha, Felipe II, essa atitude a tornou mais odiada entre os ingleses que não viam com bons olhos a união da frágil Inglaterra com a Espanha, a nação mais poderosa daqueles tempos.

Mary suspeitava de que sua meio-irmã Elizabeth estivesse por trás dos levantes protestantes, por isso, resolveu trancafiá-la na Torre de Londres, onde ficou por quatro anos. Com a morte de Mary, em 1558, Elizabeth teve a oportunidade de assumir o poder. Quando tomou posse do poder ela percebeu que os ingleses estavam divididos entre católicos e protestantes e, o tesouro real estava acabado. O viúvo de Mary I estava de olho no poder e, para completar, a França sustentava uma forte e poderosa aliança com a católica Escócia, ameaçando uma invasão pelo norte. Elizabeth organizou um time de conselheiros cuja qualidade principal era a competência. Ao invés de desafiar o parlamento ela promovia diversas alianças com o mesmo.

A soberana reforçou a autoridade dos nobres, mas por outro lado cobrou deles responsabilidades com a chamada Lei dos Pobres, na qual o senhor feudal era obrigado a cuidar dos necessitados de seu feudo. Propôs trégua à França, cedendo a posse do porto de Calais. Ao Contrário do que fez com a França, Elizabeth financiou secretamente grupos protestantes para desestabilizar o governo da sua prima, a rainha escocesa Mary. Para conter a ambição do viúvo de sua meia-irmã, Mary I, a rainha passou a flertar com ele, enrolou-o por anos para depois dispensá-lo.
Com essas ações, ela conseguiu manter a Inglaterra livre de invasões. A questão religiosa se manteve como um dos grandes problemas do início do reinado da “rainha virgem”, como ficou conhecida.

Elizabeth resolveu instalar novamente a Igreja Anglicana, criada por Henrique VIII. Ela não queria uma guerra civil, por isso deu voz aos católicos no Parlamento. Mas as revoltas religiosas continuaram, tanto que, em 1569, um grupo de nobres católicos rebelou-se no norte da Inglaterra. Para sufocar essa revolução, Elizabeth mandou massacrar os revoltosos e, confiscar os bens de seus herdeiros que ficaram privados da herança. Em contrapartida, o papa excomungou Elizabeth, em 1570. Em 1585, o rei espanhol Felipe II declarou guerra à Inglaterra, reunido a maior frota já vista. Em compensação, a inglesa tinha apenas 197 embarcações. Para a sorte de Elizabeth os espanhóis foram vítimas de uma tempestade no Canal da Mancha, apelidada de “castigo protestante”, e ficaram desgovernados. Os ingleses aproveitaram a chance e massacraram 5 mil soldados inimigos. Essa vitória deixou a Inglaterra entre as maiores potências daquela época.

  • Com a proximidade da velhice e da morte, Elizabeth I estava preocupada em quem seria seu sucessor, o herdeiro do trono. Segundo alguns estudiosos, ela teria indicado seu sobrinho, James I da Escócia, filho de sua prima-rival, Mary. Para outros, isso não aconteceu de fato. O que se sabe é que a “rainha virgem” faleceu em 1603, e foi a última da dinastia Tudor.

Por Eliene Percília
Equipe Brasil Escola

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Clarice Lispector

0 comentários
quadro feito por De Chirico


"Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada... Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro..."

"Ela acreditava em anjo e, porque acreditava, eles existiam"



Clarice Lispector nasce em Tchetchelnik, na Ucrânia, no dia 10 de dezembro 1920, tendo recebido o nome de Haia Lispector, terceira filha de Pinkouss e de Mania Lispector. 

Seu pai consegue, em Bucareste, um passaporte para toda a família no consulado da Rússia. Era fevereiro 1922, quando foram para a Alemanha e, no porto de Hamburgo, embarcam no navio "Cuyaba" com destino ao Brasil. Chegam a Maceió em março 1922, sendo recebidos por Zaina, irmã de Mania, e seu marido e primo José Rabin, que viabilizara a entrada da família no Brasil mediante uma "carta de chamada". Por iniciativa de seu pai, à exceção de Tania(irmã), todos mudam de nome: o pai passa a se chamar Pedro; Mania(mãe) Marieta; Elisa(irmã); e Haia em Clarice. Pedro passa a trabalhar com Rabin, já um próspero comerciante.

Morre a mãe de Clarice no dia 21 de setembro 1930. Nessa época, com nove anos, matricula-se no Collegio Hebreo-Idisch-Brasileiro, onde termina o terceiro ano primário. Estuda piano, hebraico e iídiche. Uma ida ao teatro a inspira e ela escreve "Pobre menina rica", peça em três atos, cujos originais foram perdidos. Seu pai resolve adotar a nacionalidade brasileira.

Pedro, pai de Clarice, em Dezembro de 1934, decide transferir-se para a cidade do Rio de Janeiro.
Viaja em companhia de sua irmã Tania e de seu pai, na terceira classe do vapor inglês "Highland Monarch". Vão morar numa casa alugada perto do Campo de São Cristóvão. Ainda nesse ano, mudam-se para uma casa na Tijuca, na rua Mariz e Barros. No colégio Sílvio Leite, na mesma rua de sua casa, cursa o quarta série ginasial. Lê romances adocicados, próprios para sua idade.

Inicia seus estudos na Faculdade Nacional de Direito em 1939. Faz traduções de textos científicos para revistas em um laboratório onde trabalha como secretária. Trabalha, também como secretária, em um escritório de advocacia.

Casa-se em 1943 com o colega de faculdade Maury Gurgel Valente e termina o curso de Direito. Seu marido, por concurso, ingressa na carreira diplomática.

Nascimento do primeiro, filho Pedro, ocorrido em 10 de setembro 1948.

Em 10 de fevereiro 1953, nasce Paulo, seu segundo filho.

Separa-se do marido e, em julho 1959, regressa ao Brasil com seus filhos.

Na madrugada de 14 de setembro de 1966 dorme com um cigarro aceso , provocando um incêndio. Seu quarto ficou totalmente destruído. Com inúmeras queimaduras pelo corpo, passou três dias sob o risco de morte — e dois meses hospitalizada. Quase tem sua mão direita — a mais afetada — amputada pelos médicos. O acidente mudaria em definitivo a vida de Clarice.

Clarice morre, no Rio, no dia 9 de dezembro de 1977, um dia antes do seu 57° aniversário vitimada por uma súbita obstrução intestinal, de origem desconhecida que, depois, veio-se a saber, ter sido motivada por um adenocarcinoma de ovário irreversível. O enterro aconteceu no Cemitério Comunal Israelita, no bairro do Caju, no dia 11. 

Algumas obras de Clarice:

Romances
  • Perto do Coração Selvagem (1944)
  • O Lustre (1946)
  • A Cidade Sitiada (1949)
  • A Maçã no Escuro (1961)
  • A Paixão segundo G.H. (1964)
  • Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres (1969)
  • Água Viva (1973)
  • A Hora da Estrela (1977)
  • Um Sopro de Vida (pulsações) (1978)
Contos
  • Alguns Contos (1952)
  • Laços de Família (1960)
  • A Legião Estrangeira (1964)
  • Felicidade Clandestina (1971)
  • A Imitação da Rosa (1973)
  • A Via Crucis do Corpo (1974)
  • Onde Estivestes de Noite (1974)

"Ao mesmo tempo que ousava desvelar as profundezas de sua alma em seus escritos, Clarice Lispector costumava evitar declarações excessivamente íntimas nas entrevistas que concedia, tendo afirmado mais de uma vez que jamais escreveria uma autobiografia. Contudo, nas crônicas que publicou no Jornal do Brasil entre 1967 e 1973, deixou escapar de tempos em tempos confissões que, devidamente pinçadas, permitem compor um auto-retrato bastante acurado, ainda que parcial. Isto porque Clarice por inteiro só os verdadeiramente íntimos conheceram e, ainda assim, com detalhes ciosamente protegidos por zonas de sombra. A verdade é que a escritora, que reconhecia com espanto ser um mistério para si mesma, continuará sendo um mistério para seus admiradores." (Pedro Karp Vasquez)

fontes: Wikipédia
              tvcultura.com.br
              claricelispector.com.br
              releituras.com


sexta-feira, 27 de junho de 2008

Nefertari

0 comentários
A preferida

Nefertari foi uma grande rainha egípcia, esposa de Ramsés II faraó do Egipto, cujo nome significa a mais bela, a mais perfeita e é muitas vezes seguida pelo epíteto amada de Mut.
Os pais de Nefertari são desconhecidos, pressupõe-se que a sua origem foi uma familia humilde.
Ramsés II desposou-a antes de suceder a Seti I e embora este tenha vivido muito mais tempo que ela e tido outras mulheres esta foi sempre designada excepcionalmente como a favorita.
Existem registos da sua presença numa festa em Luxor onde foi apresentada nos seguintes termos:
A princesa, rica em louvores, soberana da graça, doce no amor, senhora das duas terras, a perfeita, aquela cujas mãos seguram os sistros, aquela que alegra o seu pai Ámom, a mais amada, a que usa a coroa, a cantora de belo rosto, aquela cuja palavra dá plenitude. Tudo quanto pede se realiza, toda a realidade se cumpre em função do seu desejo e conhecimento, todas as suas palavras despertam alegria nos rostos, ouvir a sua voz permite viver.
Interpretando as escrituras à letra Nefertari teria dado quatro filhos e duas filhas a Ramsés II. Mas, por vezes, a noção de filho corresponde a um titulo. Ao longo do seu reinado, Ramsés II adoptou um número consideravel de filhos régios e filhas régias, o que levou certos egiptólogos a crer que tinha sido um procriador proverbial.
No primeiro ano do seu reinado Nefertari foi associada a actos importantes. Logo após ter participado na coroação do seu esposo Ramsés II ela foi levada a apresentar-se perante ele em Abidos numa cerimónia em que Nebunenef foi nomeado sumo sacerdotede Amon, assegurando assim a fidelidade deste rico e poderoso clero tebano.vê-se nas inscrições egipcias as famosas festas de Min, onde a rainha fazia o ritual das sete voltas em torno do trono do faraó proferindo as formulas mágicas para perpetuar a prosperidade das Duas terras. Este era um ritual sagrado do estado.


Tal como outras rainhas antes, Nefertari exerceu um importante papel nas negociações de paz com os povos vizinhos, nomeadamente com os hititas, correspondendo-se com a sua homóloga a rainha do Hatti.
Nefertari também possue sua câmara funerária em Luxor, uma das mais ricamentes decoradas a qual recentemente esteve fechada para restauração feita por egiptólogos.
A infiltração de água de uma fazenda vizinha comprometia as maravilhosas pinturas do interior da câmara. 

O complexo de Abu Simbel é constituído por dois templos. Um maior, dedicado
ao faraó Ramsés II e aos deuses Ra-Harakhty, Ptah e Amun, e um menor, dedicado à deusa Hathor, personificada por Nefertari, a mais amada esposa de Ramsés II  entre todas que possuía. Ramses teve oito esposas durante seu reinado, mas foi para ela que escreveu poemas de amor, um dos primeiros poemas de amor da história.       
    
                                                                       
Escreve ele em seu poema gravado nas paredes de sua tumba:

" A PRINCESA RICA EM ENCANTOS,
SENHORA DO AFETO, MEIGA DE AMOR, DONA DE DUAS TERRAS.
POETISA DE LINDO SEMBLANTE
A MAIOR NO HAREM DO SENHOR DO PALACIO.
TUDO QUE DIZEIS SERA FEITO PARA VÓS.
TODAS AS COISAS BONITAS DE ACORDO COM VOSSO DESEJO.
TODAS AS VOSSAS PALAVRAS TRAZEM ALEGRIA A FACE.
PORISSO OS HOMENS ADORAM OUVIR TUA VOZ."
(Ramsés II)


fontes:Wikipédia, a enciclopédia livre.
              geocities.com

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Catarina II da Rússia

0 comentários
Catarina, a Grande

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Catarina II (russo:Екатэрина Алэксэевна, Iekaterina Alekseievna), chamada a Grande (nascida com o nome de Sofia Augusta Frederica de Anhalt-Zerbst (alemão Sophie Friederike Auguste von Anhalt-Zerbst) a 21 de Abril de 1729 em Stettin, Prússia - falecida em 6 de Novembro 1796 em Tsarkoie Selo, próximo a São Petersburgo) foi imperatriz da Rússiade 1762 a 1796. Era prima de Gustavo III da Suécia e de Carlos XIII da Suécia.
Durante seu governo realizou uma ampla reforma na sociedade russa, modernizando-a. É considerada um exemplo de monarca do despotismo esclarecido. Graças a esta modernização a Rússia logrou obter grande desenvolvimento e a imperatriz, ainda que sendo da origem estrangeira, tornou-se muito popular.

De princesa alemã a imperatriz russa
Princesa alemã, Sofia nasceu na cidade de Estetino (hoje Szczecin, na Polónia), filha do duque Cristiano Augusto de Anhalt-Zerbst e de Joana Isabel Holstein-Gottorp. Várias descrições retratam Sofia como uma criança curiosa e impertinente. Em Fevereiro de 1744, com quinze anos, foi viver para a Rússia, escolhida pela imperatriz - a czarina Isabel Petrovna - como esposa do seu sobrinho e herdeiro, o grão-duque Pedro Fedorovitch. Sofia alterou o seu nome para Catarina quando foi admitida na Igreja Ortodoxa Russa. O casal contraiu núpcias a 21 de Agosto de 1745 em São Petersburgo. Catarina esforçou-se por aprender a língua russa e a história do seu novo país. O seu casamento revelou-se um fracasso, devido à indiferença e esterilidade de Pedro, incapaz de gerar o desejado herdeiro. Catarina ocupa parte considerável do seu tempo a ler obras de filosofia e história, tendo adquirido uma grande cultura. Em 1754, dá à luz um menino, o futuro Paulo I, fruto da relação que manteve com Sergius Saltykov, um militar do exército; houve aceitação da criança por Pedro como seu filho legítimo.
Em Janeiro de 1762, a czarina Isabel Petrovna morre, e Pedro Fedorovitch subiu ao trono com o nome de Pedro III. As suas políticas de aproximação à Prússia deFrederico II, a introdução no exército das violentas técnicas de treino militar prussianas e a sua exigência de que os bens da Igreja fossem administrados por funcionários leigos provocaram um descontentamento geral. Ao mesmo tempo, Catarina temia que Pedro a repudiasse para casar com a sua amante, Isabel Vorontsova. Em Junho do mesmo ano, Grigori Orlov, o novo amante de Catarina e membro da guarda imperial, liderou um levante que afastou Pedro. O golpe, pacífico e apoiado por amplos setores da sociedade, conduziu Catarina ao poder; Pedro acabaria por abdicar, tendo sido assassinado pouco tempo depois por Orlov. Catarina foi coroada imperatriz da Rússia a22 de Setembro de 1762 na Catedral da Dormição do Kremlim de Moscovo. Seria o princípio de um glorioso e autocrático reinado de trinta e cinco anos.
Autocrata convicta, mostrou-se, entretanto, protetora dos “filósofos” e dos artistas franceses. Construiu escolas, hospitais e reestruturou o saneamento da cidade de São Petesburgo, tendo ainda planejado e determinado os materias de construção e as fachadas dos prédios de 216 novas cidades russas. Manteve correspondência comVoltaire. Sufocou a revolta dos cossacos (1774), reformou a administração (1775) e encorajou a valorização das regiões da Ucrânia e do Volga. Em 1783 ordenou a fundação da academia russa. Em seu reinado, o território da Rússia cresceu em 500 mil hectares, a expensas da Turquia (1787) e da Polônia (1793 e 1795).
Durante seu reinado enfrentou o Império Otomano, derrotando-o em várias ocasiões.


Precedida por: Pedro III
Imperatriz da Rússia -  (28 de junho de 1762 - 6 de novembro de 1796)
Sucedida por: Paulo I

 
© 2008 Espaço dos anjos  |  Templates e Acessórios por Elke di Barros